domingo, 20 de junho de 2021

QUEM É ESTE HOMEM, QUE ATÉ O VENTO E O MAR LHE OBEDECEM?

 

 

DOMINGO XII DO TEMPO COMUM – ano B – 20JUN2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 27, 8-9

O Senhor é a força do seu povo,

o baluarte salvador do seu Ungido.

Salvai o vosso povo, Senhor, abençoai a vossa herança,

sede o seu pastor e guia através dos tempos.

 

ORAÇÃO COLECTA

Senhor, fazei-nos viver a cada instante no temor e no amor do vosso Santo nome, porque nunca a vossa providência abandona aqueles que formais solidamente no vosso amor.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Job 38, 1.8-11

« Aqui se quebrará a altivez das tuas vagas»

 

As forças da natureza deslumbram, por vezes, o homem, e frequentemente o dominam e até o aterrorizam. Mas, se ele as contemplar com serenidade e humildade, pode reconhecer nelas o poder de Deus e a sua grandeza. Deus a isso nos convida, como um dia o fez a Job, convidando-o a reconhecer o Criador ao olhar para as suas criaturas, o mar em particular, que hoje no Evangelho vai deixar também maravilhados os discípulos de Jesus.

 

Leitura do Livro de Job

O Senhor respondeu a Job do meio da tempestade, dizendo: «Quem encerrou o mar entre dois batentes, quando ele irrompeu do seio do abismo, quando Eu o revesti de neblina e o envolvi com uma nuvem sombria, quando lhe fixei limites e lhe tranquei portas e ferrolhos? E disse-lhe: ‘Chegarás até aqui e não irás mais além, aqui se quebrará a altivez das tuas vagas’».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 106 (107), 23-24.25-26.28-29.30-31 (R. 1b)

 

Refrão: Dai graças ao Senhor,

porque é eterna a sua misericórdia. (Repete-se)

 

Os que se fizeram ao mar em seus navios,

a fim de labutar na imensidão das águas,

esses viram os prodígios do Senhor

e as suas maravilhas no alto mar. (Refrão)

 

À sua palavra, soprou um vento de tempestade,

que fez encapelar as ondas:

subiam até aos céus, desciam até ao abismo,

lutavam entre a vida e a morte. (Refrão)

 

Na sua angústia invocaram o Senhor

e Ele salvou-os da aflição.

Transformou o temporal em brisa suave

e as ondas do mar amainaram. (Refrão)

 

Alegraram-se ao vê-las acalmadas,

e Ele conduziu-os ao porto desejado.

Graças ao Senhor pela sua misericórdia,

pelos seus prodígios em favor dos homens. (Refrão)

 

LEITURA II – 2 Cor 5, 14-17

 

«Tudo foi renovado»

 

O mistério pascal de Cristo, a sua morte que O levou à glória da ressurreição, constitui o início de uma criação nova. É a fé neste mistério que exerce pressão sobre os cristãos e os há-de impelir a viverem dele e a proclamá-lo ao mundo inteiro, como já impeliu S. Paulo depois da sua conversão. A vida cristã é uma vida pascal, cada dia renovada.

 

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios

Irmãos: O amor de Cristo nos impele, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram. Cristo morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles. Assim, daqui em diante, já não conhecemos ninguém segundo a carne. Ainda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, agora já não O conhecemos assim. Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram: tudo foi renovado.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Lc 7, 16

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Apareceu entre nós um grande profeta:

Deus visitou o seu povo. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Mc 4, 35-41

 

«Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?»

 

Se a contemplação da obra da criação nos pode levar a reconhecer a presença de Deus junto dos homens, quanto mais a contemplação das obras realizadas por Jesus Cristo, o próprio Filho de Deus feito homem? E mais ainda do que acalmar a tempestade no lago da Galileia, o Senhor sempre presente na barca da Igreja, continua a trazer a paz e a bonança ao seu povo batido pelas vagas na travessia do mar desta vida a caminho do porto seguro da glória celeste.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago». Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-n’O e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?». Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança. Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?». Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

O PODER DE JESUS

 

Jesus atravessa com os discípulos para a terra dos pagãos. O mar agitado é o símbolo das nações pagãs que ameaçam destruir a comunidade cristã. Mas Jesus é o Senhor da história e dos povos. O medo dos discípulos é sinal da falta de fé: eles não conseguem ver que a acção de Jesus transforma situações. Temos neste texto de Marcos uma narrativa de milagre da natureza, cujo carácter simbólico pode ser percebido. No Antigo Testamento, principalmente nos salmos, são encontradas descrições de manifestações espantosas da natureza relacionadas com o poder de Deus. A comunidade de discípulos fica assustada e insegura diante das dificuldades que surgem. Para eles o “sono” de Jesus parece uma omissão. No fim, sentem-se confortados pela manifestação de poder de Jesus. Percebe-se na narrativa uma interpretação de Jesus como fonte de poder. Esta compreensão é característica dos discípulos das comunidades oriundas do judaísmo. Contudo, Jesus, no seu convívio com todos, homens e mulheres, sempre inspirou confiança, transmitiu segurança e comunicou vida, através de seu amor sem limites. A segurança em face do temor não é dada pelo poder, mas sim pelo amor. Jesus atravessa com os discípulos para a terra dos pagãos. O mar agitado é o símbolo das nações pagãs que ameaçam destruir a comunidade cristã. Mas Jesus é o Senhor da história e dos povos. O medo dos discípulos é sinal da falta de fé: eles não conseguem ver que a acção de Jesus transforma situações. Percebe-se na narrativa uma interpretação de Jesus como fonte de poder. Esta compreensão é característica dos discípulos das comunidades oriundas do judaísmo. Contudo, Jesus, no seu convívio com todos, homens e mulheres, sempre inspirou confiança, transmitiu segurança e comunicou vida, através do seu amor sem limites. A segurança em face do temor não é dada pelo poder, mas sim pelo amor.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Por este sacrifício de reconciliação e de louvor, purificai, Senhor, os nossos corações, para que se tornem uma oblação agradável a vossos olhos.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 144, 15

Os olhos de todos esperam em Vós, Senhor,

e a seu tempo lhes dais o alimento.

 

Ou Jo 10, 11.15

 

Eu sou o Bom Pastor

e dou a vida pelas minhas ovelhas, diz o Senhor.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Senhor, que nos renovastes pela comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo, fazei que a participação nestes mistérios nos alcance a plenitude da redenção.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


domingo, 13 de junho de 2021

A menor de todas as sementes torna-se a maior de todas as plantas da horta

 


 DOMINGO XI DO TEMPO COMUM – ano B – 13JUN2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 26, 7.9

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica.

Vós sois o meu refúgio:

não me abandoneis, meu Deus, meu Salvador.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e acções Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Ez 17, 22-24

«Elevo a árvore modesta»

 

Foi talvez esta passagem do profeta que ofereceu a Jesus ocasião para anunciar as duas pequenas parábolas que vamos escutar no Evangelho. O profeta mostra-nos como de um pequeno ramo Deus pode fazer o começo de uma árvore frondosa. Assim foram os princípios e depois o desenvolvimento do reino de Deus, porque o vigor da vida de Deus aí estava.

 

Leitura da profecia de Ezequiel

Eis o que diz o Senhor Deus: «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos. E todas as árvores do campo hão-de saber que Eu sou o Senhor; humilho a árvore elevada e elevo a árvore modesta, faço secar a árvore verde e reverdeço a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 91 (92), 2-3.13-14.15-16 (R. cf. 2a)

 

Refrão: É bom louvar-Vos, Senhor. (Repete-se)

 

É bom louvar o Senhor

e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo,

proclamar pela manhã a vossa bondade

e durante a noite a vossa fidelidade. (Refrão)

 

O justo florescerá como a palmeira,

crescerá como o cedro do Líbano;

plantado na casa do Senhor,

florescerá nos átrios do nosso Deus. (Refrão)

 

Mesmo na velhice dará o seu fruto,

cheio de seiva e de vigor,

para proclamar que o Senhor é justo:

n’Ele, que é o meu refúgio, não há iniquidade. (Refrão)

 

LEITURA II – 2 Cor 5, 6-10

 

«Empenhamo-nos em agradar ao Senhor, quer continuemos a habitar neste corpo, quer tenhamos de sair dele»

 

O cristão vive neste mundo sempre numa grande tensão entre a experiência diária desta vida e a como que a saudade da vida futura, como exilado mas cheio de esperança, sem nunca perder de vista o termo para onde caminha. Lá há-de encontrar toda a sua vida nas mãos de Deus, com o que nela tiver feito de bom ou de mau.

 

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios

Irmãos: Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Jo 12, 31b-32

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

A semente é a palavra de Deus e o semeador é Cristo:

quem O encontrar permanecerá para sempre. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Mc 4, 26-34

 

«A menor de todas as sementes torna-se a maior de todas as plantas da horta»

 

A pregação de Jesus, ao apresentar o mistério do reino de Deus, e, depois, a pregação continuada na Igreja, é comparada a uma sementeira. O seu desenvolvimento é lento, mas constante e vigoroso, porque é forte a vitalidade da semente, que é a Palavra de Deus. É essa a vitalidade que a faz germinar, crescer, chegar à hora da colheita. A humildade dos começos não é obstáculo à grandeza que o reino de Deus há-de atingir na hora da ceifa.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

ENSINANDO EM PARÁBOLAS

 

A missão de Jesus é portadora do Reino de Deus e da transformação que ele provoca. Uma vez iniciada, a acção de Jesus cresce e produz fruto de maneira imprevisível e irresistível. Diante das estruturas e acções desse mundo, a actividade de Jesus e daqueles que o seguem parece impotente, e mesmo ridícula. Mas ela crescerá, até atingir o mundo inteiro. Jesus foi um Mestre paciente que soube adaptar os seus ensinamentos à capacidade de compreensão dos seus ouvintes. Este esforço pedagógico e didáctico resultou na escolha das parábolas como meio de transmitir as suas instruções. As parábolas não eram somente as comparações. Também os provérbios, ensinamentos, enigmas e outros recursos literários eram classificados como parábolas. Por isso, afirma-se que, sem parábolas, Jesus não lhes falava. Elas continham sempre um elemento para intrigar os ouvintes e levá-los a reflectir sobre a mensagem veiculada. Só quem estava muito sintonizado com Jesus era capaz de passar da parábola à sua mensagem, e compreender o ensinamento do Mestre. Por isso, muita gente não sintonizada com Jesus ouvia as suas palavras, sem entender nada. Até mesmo os discípulos, muitas vezes, não eram capazes de atinar para o que Jesus lhes ensinava com as parábolas. Era preciso que, em particular, o Mestre lhes explicasse tudo, iluminando-lhes as mentes para compreenderem como o Reino acontece na história humana. O discípulo esforça-se para entender as parábolas de Jesus, ou seja, para estar em sintonia total com o Mestre. Esta é a única maneira de captar seus ensinamentos. Com estas duas parábolas com a imagem da semente, introduzidas com a expressão “Jesus dizia-lhes...”, Marcos encerra o bloco de parábolas por ele reunidas. A primeira destas duas, é exclusiva de Marcos. A semente que germina e cresce por si mesma exprime a acção de Deus que comunica amor e vida a todos, suplantando os poderosos deste mundo que semeiam a fome e a morte. A segunda parábola, da inexpressiva semente que se transforma numa árvore acolhedora dos pássaros, exprime que a fé dos discípulos, desprezível diante do mundo, pode gerar o mundo novo de fraternidade e paz. A prática e o ensino de Jesus são caminho e luz.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Senhor nosso Deus, que pelo pão e o vinho apresentados ao vosso altar dais ao homem o alimento que o sustenta e o sacramento que o renova, fazei que nunca falte este auxílio ao nosso corpo e à nossa alma.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 26, 4

Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio:

habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida.

 

Ou 1 Jo 17, 11

 

Pai santo, guarda no teu nome os que Me deste,

para que sejam em nós confirmados na unidade,

diz o Senhor.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Fazei, Senhor, que a sagrada comunhão nos vossos mistérios, sinal da nossa união convosco, realize a unidade na vossa Igreja.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

domingo, 6 de junho de 2021

SATANÁS SERÁ DESTRUÍDO

DOMINGO X DO TEMPO COMUM – ano B – 06JUN2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 26, 1-2

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem temerei?

O Senhor é protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus, fonte de todo o bem,

ensinai-nos com a vossa inspiração a pensar o que é recto e ajudai-nos com a vossa providência a pô-lo em prática.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Gen 3, 9-15

«Estabelecerei inimizade entre a tua descendência e a descendência dela»

 

Perdida a amizade divina, pelo pecado, o homem e a mulher encontram-se reduzidos à sua condição de seres limitados e vêem crescer em si o orgulho e a fuga à responsabilidade.

O homem acusa a mulher. Esta desculpa-se com a serpente. Apesar disso, o Senhor promete o triunfo final do bem que há-de vencer a injustiça, o egoísmo. Jesus Cristo realizará a salvação de cada homem, e de toda a humanidade.

 

Leitura do Livro do Génesis

Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?». E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta há-de atingir-te na cabeça e tu a atingirás no calcanhar».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 129 (130), 1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

 

Refrão: No Senhor está a misericórdia e abundante redenção. (Repete-se)

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,

Senhor, escutai a minha voz.

Estejam os vossos ouvidos atentos

à voz da minha súplica. (Refrão)

 

Se tiverdes em conta os nossos pecados,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão

para Vos servirmos com reverência. (Refrão)

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma confia na sua palavra.

A minha alma espera pelo Senhor

mais do que as sentinelas pela aurora. (Refrão)

 

Porque no Senhor está a misericórdia

e com Ele abundante redenção.

Ele há-de libertar Israel

de todas as suas faltas. (Refrão)

 

LEITURA II – 2 Cor 4, 13 – 5, 1

 

«Acreditamos; por isso falamos»

 

Os sofrimentos do dia a dia não preocupam o Apóstolo S. Paulo. Nem tão pouco o atormenta a condição de ser mortal, pois deposita toda a sua esperança no Senhor que lhe concederá uma morada eterna. Por isso, nos recomenda uma atenção especial para os bens do espírito, para aquilo que não se vê, mas é duradoiro.

 

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios

Irmãos: Diz a Escritura: «Acreditei; por isso falei». Com este mesmo espírito de fé, também nós acreditamos, e por isso falamos, sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as acções de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Jo 12, 31b-32

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Chegou a hora em que vai ser expulso

o príncipe deste mundo, diz o Senhor;

e quando Eu for levantado da terra,

atrairei todos a Mim. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Mc 3, 20-35

 

«Satanás está perdido»

 

Jesus é objecto de toda a espécie de calúnias. Os escribas vão ao ponto de O acusarem de pactuar com Belzebu o príncipe dos demónios. Nem por isso Jesus deixou de levar por diante a missão que o Pai lhe confiara – a implantação do Reino de Deus entre os homens. Muitos irmãos nossos lutam hoje contra o mal: contra o racismo, as torturas, as injustiças e a privação de liberdade. E também estes são acusados de estabelecerem a anarquia entre os homens. Colocamos nós a vontade de Deus acima de tudo?

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: «Está fora de Si». Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode durar. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado para sempre». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro». Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos, que, ficando fora, O mandaram chamar. A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura». Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?». E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe»

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

A VERDADEIRA MISSÃO DE JESUS

 

O Evangelho relata, com muita simplicidade, que os familiares de Jesus consideravam-no “louco”. O interesse suscitado pela pessoa do Mestre, que atraía multidões, deixava-os perturbados. É possível imaginar toda a sorte de atitudes por parte dos que o procuravam. Quem necessitava da sua ajuda e era atendido, deveria manifestar-se com exaltação, exageros, histerias, gritaria, barulho. Quem o via com suspeita, não devia poupar críticas, desprezo, maledicências. Por sua vez, os parentes não conseguiam entender o porquê de tudo isto. Nem tinham parâmetros para compreender as palavras de Jesus e captar-lhes o sentido profundo. Tampouco tinham como explicar o seu poder misterioso de fazer milagres e libertar os endemoninhados. Por isso, pareceu-lhes prudente prendê-lo em casa, de modo a evitar o espectáculo deprimente de ver aquele seu familiar falando e fazendo desatinos. Na verdade, esses parentes já não eram mais os verdadeiros familiares de Jesus, que, agora, são outros: aqueles que ele chamou para ser seus companheiros de missão. Estes, sim, pouco a pouco, foram-se tornando capazes de compreender a sabedoria escondida nos gestos e nas palavras do Mestre. Enganaram-se os que pensavam estar diante de um louco, pois ali se encontrava a mais pura sabedoria manifestada por Deus à humanidade. A acusação que os escribas fizeram a Jesus é de extrema gravidade. Na avaliação deles, o Mestre estava possuído pelo demónio. E isto é considerado como uma blasfémia contra o Espírito Santo, sem possibilidade de perdão. Porquê? Toda a acção de Jesus desenrolava-se sob o impulso do Espírito Santo. O Mestre pregava e curava pelo poder do Espírito que recebera do Pai. A expulsão dos demónios resultava do mesmo poder. Jesus realizava gestos poderosos porque o Espírito de Deus habitava nele. A blasfémia consistiu em confundir o Espírito Santo com Belzebu. Declarar Jesus possesso significava dizer ser ele habitado pelo espírito maligno e, assim, negar totalmente a obra que Deus realizava por meio de seu Filho. A incapacidade de interpretar os factos de maneira correcta resultava não só da má vontade dos escribas em relação a Jesus, mas também em relação a Deus. Por desconhecerem a pedagogia da acção divina, recusavam-se a reconhecer o dedo do Pai na acção do seu Filho. E punham-se a fazer considerações inconvenientes a respeito dele. Aos blasfemadores só restava um caminho para se tornarem objecto da misericórdia divina: reconhecer a presença de Deus na acção de Jesus, e confessar que, no Filho, a libertação divina acontecia na história da humanidade oprimida. A presença da sua mãe e dos seus familiares, num momento de intensa actividade, permitiu a Jesus explicitar um aspecto importante do Reino instaurado por ele: o ponto de contacto entre ele e quem se tornou seu discípulo. Seria uma questão de amizade pessoal, ou tudo dependeria das preferências de Jesus? Os seus parentes teriam alguma precedência em relação aos demais? Nada disso tinha importância, já que o critério seria a submissão à vontade do Pai. Portanto, o ponto de contacto estaria no nível interno, existencial. Por pautarem as suas vidas em idêntico projecto, cujo referencial era o Pai, Jesus e os seus discípulos formariam uma grande família. Este critério de familiaridade com Jesus supera toda limitação espaço temporal. Entre nós e Jesus se estabelecem estreitos laços de relacionamento, quando nos deixamos guiar pela mesma vontade divina. A identificação dar-se-á na semelhança de atitudes, uma vez que seremos levados a agir como ele. Por outro lado, o espírito de família impor-se-á entre nós, cristãos, quando nos encontrarmos unidos numa acção comum, fundada no amor e na justiça. Só então saberemos que somos irmãos e irmãs de Jesus. Este é o parentesco espiritual gerado pela opção do Reino, do qual nasce a verdadeira família de Jesus, que engloba toda a gente e suas culturas.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Olhai com bondade, Senhor, para os dons que apresentamos ao vosso altar e fazei que esta oblação Vos seja agradável e aumente em nós a caridade.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 17, 3

Sois o meu protector e o meu refúgio, Senhor;

sois o meu libertador; meu Deus, em Vós confio.

 

Ou 1 Jo 4, 16

 

Deus é amor.

Quem permanece no amor permanece em Deus

e Deus permanece nele.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Nós Vos pedimos, Senhor, que a acção santificadora deste sacramento nos liberte das más inclinações e nos conduza a uma vida santa.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.