domingo, 15 de agosto de 2021

O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas

 

 

ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA – ano B – 08AGO2021 


MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Ap 12, 1

Um sinal grandioso apareceu no céu:

uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés

e uma coroa de estrelas na cabeça.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab

«Uma mulher revestida de sol e com a lua debaixo dos pés»

 

 

Leitura do Apocalipse de São João

O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo.

Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.

Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade.

E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas.

A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra.

O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse.

Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro.

O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar.

E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)

 

Refrão: À vossa direita, Senhor, a Rainha do Céu,

ornada do ouro mais fino. (Repete-se)

 

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,

à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.

Ouve, minha filha, vê e presta atenção,

esquece o teu povo e a casa de teu pai. (Refrão)

 

Da tua beleza se enamora o Rei;

Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

Cheias de entusiasmo e alegria,

entram no palácio do Rei. (Refrão)

 

LEITURA II – 1 Cor 15, 20-27

 

«Primeiro, Cristo, como primícias; depois os que pertencem a Cristo»

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:

Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram.

Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida.

Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.

Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder.

É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés.

E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés.

Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Maria foi elevada ao Céu:

alegra-se a multidão dos Anjos. (Refrão)

 

EVANGELHO – Lc 1, 39-56

 

«O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: exaltou os humildes»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.

Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre».

Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

A GLORIFICAÇÃO DE MARIA

Ainda no seio de sua mãe, João Baptista recebe o Espírito prometido. Reconhece o Messias e o aponta através da exclamação da sua mãe Isabel. O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhece a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus. Cumprindo a promessa. Deus assume o partido dos pobres e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, os pobres e os oprimidos são libertos e assumem a direcção dessa nova história. A festa da assunção de Nossa Senhora leva-nos a repensar todo o seu peregrinar neste nosso mundo, pois trata-se de celebrar o desfecho da sua caminhada. O fim da existência terrena de Maria consistiu na plenitude de todos os seus anseios de mulher de fé e disponível para servir. A expressão “repleta de graça”, dita pelo anjo, encontrou a sua expressão consumada na exaltação dela junto de Deus. A estreita conexão entre a existência terrena de Maria e a sua sorte eterna foi percebida desde cedo pela comunidade cristã, apesar da Bíblia não contar os detalhes da sua vida e da sua morte. A comunidade deu-se conta de que Deus assumiu e transformou toda a sua história, as suas acções e o seu corpo. O relato evangélico é um pequeno retrato de Maria. A sua condição de mãe do Messias, o “Senhor” esperado pelo povo, proveio da profunda comunhão com Deus e da disponibilidade total em fazer-se sua servidora. Expressou a sua fé no canto de louvor – o Magnificat – no qual proclamou as maravilhas de Deus e as grandezas dos seus feitos em favor dos fracos e pequeninos. A comunhão com Deus desdobrava-se, na vida de Maria, na sua disponibilidade em servir o próximo. A ajuda prestada à prima Isabel é uma pequena amostra do que era a Mãe de Deus no seu dia-a-dia. Assunta ao céu, Maria experimentou, em plenitude, a comunhão vivida na Terra. As primeiras comunidades de discípulos de Jesus guardavam vivas as memórias tanto do próprio Jesus como de João Baptista, pelo qual Jesus foi baptizado. Lucas recorreu a estas memórias para elaborar a sua própria narrativa da concepção de Jesus no ventre de Maria e a de João Baptista no ventre de Isabel. Jesus, tendo começado o seu ministério como discípulo de João Baptista, passou, depois, a agir com autonomia e, com seu anúncio revestido da autoridade divina, sobrelevou a figura de João. Assim sendo, tardiamente, as memórias dos dois, feitas pelas comunidades, foram marcadas pela insistente afirmação da precedência de Jesus sobre João. Neste sentido temos as declarações atribuídas a João de que ele próprio deve desaparecer para dar lugar a Jesus. Na narrativa da visitação de Maria a Isabel, a precedência de Jesus se manifesta na afirmação de que o menino João pulou no ventre de Isabel quando da saudação de Maria, portando Jesus, chegou aos ouvidos de Isabel. Segue-se a proclamação de Isabel ao afirmar “como mereço que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”. Conforme a tradição da igreja, Maria, terminados seus dias de vida aqui na terra, foi elevada aos céus, em sua corporeidade, sendo assumida no seio de Deus, gozando já da vida divina. Ela é um sinal da vitória da vida sobre a morte, vitória esta narrada com imagens impressivas no Apocalipse (primeira leitura). A continuidade desta vida terrena na eternidade é insistentemente afirmada por Paulo nas suas cartas (segunda leitura), com a proclamação da ressurreição de Jesus, da qual somos chamados a participar.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Lc 1, 48-49

Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada,

porque o Senhor fez em mim maravilhas.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição.

 

 


domingo, 8 de agosto de 2021

EU SOU O PÃO VIVO QUE DESCEU DO CÉU

 

DOMINGO XIX DO TEMPO COMUM – ano B – 08AGO2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 73, 20.19.22.23

Lembrai-Vos, Senhor, da vossa aliança,

não esqueçais para sempre a vida dos vossos fiéis.

Levantai-Vos, Senhor, defendei a vossa causa,

escutai a voz daqueles que Vos procuram.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – 1 Reis 19, 4-8

«Fortalecido com aquele alimento, caminhou até ao monte de Deus»

 

Uma sensação de abandono gera no espírito de Elias um estado de abatimento e mesmo de desespero. Morrer, no deserto onde o povo andou errante, onde Moisés suportou a revolta do mesmo povo e onde Agar ficou sepultada, será simultaneamente libertação e glória. Mas Deus, que dá a vida e fortalece a esperança, tem a seu respeito um plano diferente. Envia-lhe um anjo com o sustento corporal e espiritual. – Ali mesmo alimentara também o povo com o maná –. E, deste modo, Elias pôde levar a bom termo a missão que o Senhor lhe confiara.

 

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Naqueles dias, Elias entrou no deserto e andou o dia inteiro. Depois sentou-se debaixo de um junípero e, desejando a morte, exclamou: «Já basta, Senhor. Tirai-me a vida, porque não sou melhor que meus pais». Deitou-se por terra e adormeceu à sombra do junípero. Nisto, um Anjo tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come». Ele olhou e viu à sua cabeceira um pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha de água. Comeu e bebeu e tornou a deitar-se. O Anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-lhe e disse: «Levanta-te e come, porque ainda tens um longo caminho a percorrer». Elias levantou-se, comeu e bebeu. Depois, fortalecido com aquele alimento, caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus, Horeb.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 9a)

 

Refrão: Saboreai e vede como o Senhor é bom. (Repete-se)

 

A toda a hora bendirei o Senhor,

o seu louvor estará sempre na minha boca.

A minha alma gloria-se no Senhor:

escutem e alegrem-se os humildes. (Refrão)

 

Enaltecei comigo o Senhor

e exaltemos juntos o seu nome.

Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,

libertou-me de toda a ansiedade. (Refrão)

 

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,

o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.

Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,

salvou-o de todas as angústias. (Refrão)

 

O Anjo do Senhor protege os que O temem

e defende-os dos perigos.

Saboreai e vede como o Senhor é bom:

feliz o homem que n’Ele se refugia. (Refrão)

 

LEITURA II – Ef 4, 30 – 5, 2

 

«Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo»

 

Crer em Deus não é somente um acto da inteligência. É também um acto da vontade humana enquanto a fé determina o comportamento cristão que nos move à libertação de todo o egoísmo, num reino de amor, de que Deus é modelo – na Trindade de Pessoas intimamente unidas.

 

 

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Não contristeis o Espírito Santo de Deus, que vos assinalou para o dia da redenção. Seja eliminado do meio de vós tudo o que é azedume, irritação, cólera, insulto, maledicência e toda a espécie de maldade. Sede bondosos e compassivos uns para com os outros e perdoai-vos mutuamente, como Deus também vos perdoou em Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e Se entregou por nós, oferecendo-Se como vítima agradável a Deus.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Jo 6, 51

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Eu sou o pão vivo que desceu do Céu, diz o Senhor;

Quem comer deste pão viverá eternamente. (Refrão)

 

EVANGELHO – Jo 6, 41-51

 

«Eu sou o pão vivo que desceu do Céu»

 

Jesus convida os seus ouvintes a acreditarem na Sua Palavra a acreditarem n’Ele que é vida. É natural o espanto gerado entre a multidão. Se somente Deus tem palavras de vida eterna, como pode o Filho de Maria e José dizer que Ele próprio é o pão da vida? As palavras de Jesus são um apelo à fé e são também o anúncio da Eucaristia – sacramento em que Ele nos dá como Pão da vida o Seu próprio Corpo.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, os judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito: «Eu sou o pão que desceu do Céu». E diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe? Como é que Ele diz agora: ‘Eu desci do Céu’?». Jesus respondeu-lhes: «Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. Está escrito no livro dos Profetas: ‘Serão todos instruídos por Deus’. Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim. Não porque alguém tenha visto o Pai; só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

O ENSINAMENTO DO PAI – “EU SOU O PÃO DA VIDA”

 

Jesus apresenta-se como aquele que veio de Deus para dar a vida definitiva aos homens. Seus adversários não admitem que um homem possa ter origem divina e, portanto, possa dar a vida definitiva. É o Pai quem tem a iniciativa na dinâmica da fé dos cristãos. No seu amor, elege o ser humano para ser objecto da sua revelação e convida-o a aderir ao Filho Jesus. Só vai a Jesus quem é escolhido e impelido pelo Pai. Só se entrega a Jesus quem se deixa guiar pelo Pai. E tudo quanto o Pai realiza está em função de guiar a humanidade para o Filho. O acto de fé no Senhor Jesus é, portanto, indício de obediência ao ensinamento do Pai e de submissão à sua vontade. A incredulidade configura-se como rebeldia contra o Pai. Não se trata de mera oposição a Jesus, numa atitude sem maiores consequências. Nem, tampouco, pode ser considerada como uma fatalidade na vida das pessoas, numa espécie de anulação de sua liberdade. No acto de fé, está implicada a liberdade humana. Instruído pelo Pai, cabe ao ser humano acolher ou não a instrução recebida. Se a acolhe, sem dúvida será capaz de reconhecer em Jesus o enviado do Pai. Se a rejeita, não somente se tornará um adversário do Filho, mas também do Pai. Não é possível acolher a moção do Pai, e fechar-se para o Filho. Ou seja, não dá para ficar no meio do caminho. Quem recebeu o ensinamento do Pai, necessariamente irá a Jesus. Jesus testemunha a sua origem divina e o seu conhecimento do Pai. O Pai revela o seu amor em Jesus e por ele somos atraídos. O pão descido do céu é Jesus concebido no ventre de Maria e que viveu, cerca de trinta anos, uma vida comum na sua cidade de origem e, depois, cerca de três anos, em contacto com as multidões revelando-lhes o Pai que o enviou. Jesus é o Verbo que se fez carne, com a sua presença corpórea concreta no mundo e na história. Doando-se a fim de comunicar a vida, consagrou-se à libertação de todos das opressões e da morte, levando a esperança de um mundo novo, pela prática do amor. Ser atraído por Jesus e crer nele é segui-lo na adesão concreta ao projecto de Deus. O pão representa o alimento da vida. Alimentar-se de Jesus é contemplá-lo e seguir os seus passos. No serviço, na fraternidade comunitária, na solidariedade social, na busca da justiça e da paz, entra-se em comunhão com Jesus, pão da vida eterna.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Aceitai benignamente, Senhor, os dons que Vós mesmo concedestes à vossa Igreja e transformai-os, com o vosso poder, em sacramento da nossa salvação.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 147,12.14

Louva, Jerusalém, o Senhor,

que te saciou com a flor da farinha.

 

Ou – Jo 6, 52

 

O pão que Eu vos darei, diz o Senhor,

é a minha carne pela vida do mundo.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Nós Vos pedimos, Senhor, que a comunhão do vosso sacramento nos salve e nos confirme na luz da vossa verdade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


domingo, 1 de agosto de 2021

QUEM VEM A MIM NUNCA MAIS TERÁ FOME, QUEM ACREDITA EM MIM NUNCA MAIS TERÁ SEDE

 


DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM – ano B – 01AGO2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 69, 2.6

Deus, vinde em meu auxílio,

Senhor, socorrei-me e salvai-me.

Sois o meu libertador e o meu refúgio: não tardeis, Senhor.

 

ORAÇÃO COLECTA

Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai-Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Ex 16, 2-4.12-15

«Eu farei que chova para vós pão do céu»

 

O maná descido do céu, no tempo de Moisés, foi o alimento providencial que Deus enviou ao seu povo para o sustentar durante a travessia do deserto, a caminho da Terra Prometida. Jesus vai citar este acontecimento na terceira leitura e faz sobre ele a respectiva catequese. O maná era alimento para matar a fome corporal. Mas há fomes mais urgentes e mais exigentes, as do espírito. O maná é chamado pão do céu, só porque vinha do alto; mas do Céu virá um Pão que dará a vida que não morre: Cristo, Aquele que o Pai celeste enviará.

 

Leitura do Livro do Êxodo

Naqueles dias, toda a comunidade dos filhos de Israel começou a murmurar no deserto contra Moisés e Aarão. Disseram-lhes os filhos de Israel: «Antes tivéssemos morrido às mãos do Senhor na terra do Egipto, quando estávamos sentados ao pé das panelas de carne e comíamos pão até nos saciarmos. Trouxestes-nos a este deserto, para deixar morrer à fome toda esta multidão». Então o Senhor disse a Moisés: «Vou fazer que chova para vós pão do céu. O povo sairá para apanhar a quantidade necessária para cada dia. Vou assim pô-lo à prova, para ver se segue ou não a minha lei. Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Vai dizer-lhes: ‘Ao cair da noite comereis carne e de manhã saciar-vos-eis de pão. Então reconhecereis que Eu sou o Senhor, vosso Deus’». Nessa tarde apareceram codornizes, que cobriram o acampamento, e na manhã seguinte havia uma camada de orvalho em volta do acampamento. Quando essa camada de orvalho se evaporou, apareceu à superfície do deserto uma substância granulosa, fina como a geada sobre a terra. Quando a viram, os filhos de Israel perguntaram uns aos outros: «Man-hu?», quer dizer: «Que é isto?», pois não sabiam o que era. Disse-lhes então Moisés: «É o pão que o Senhor vos dá em alimento».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 77 (78), 3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b )

 

Refrão: O Senhor deu-lhes o pão do céu. (Repete-se)

 

Nós ouvimos e aprendemos,

os nossos pais nos contaram

os louvores do Senhor e o seu poder

e as maravilhas que Ele realizou. (Refrão)

 

Deu suas ordens às nuvens do alto

e abriu as portas do céu;

para alimento fez chover o maná,

deu-lhes o pão do céu. (Refrão)

 

O homem comeu o pão dos fortes!

Mandou-lhes comida com abundância

e introduziu-os na sua terra santa,

na montanha que a sua direita conquistou. (Refrão)

 

LEITURA II – Ef 4, 17.20-24

 

«Revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus»

 

Jesus Cristo, o Filho de Deus, ao fazer-Se homem, fez aparecer sobre a terra o que S. Paulo chamou o “homem novo”. Ele é a Cabeça de um Corpo novo, do qual os cristãos se tornam membros pela fé e pelo Baptismo. Ele é agora o padrão por onde os outros homens poderão aferir a sua existência e a sua vida. A vida dos cristãos é também agora a vida deste Corpo místico, a vida de Cristo vivida pelos seus membros. Vida nova requer nova maneira de a viver!

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Eis o que vos digo e aconselho em nome do Senhor: Não torneis a proceder como os pagãos, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. Não foi assim que aprendestes a conhecer a Cristo, se é que d’Ele ouvistes pregar e sobre Ele fostes instruídos, conforme a verdade que está em Jesus. É necessário abandonar a vida de outrora e pôr de parte o homem velho, corrompido por desejos enganadores. Renovai-vos pela transformação espiritual da vossa inteligência e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus na justiça e santidade verdadeiras.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Mt 4, 4b

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Nem só de pão vive o homem,

mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. (Refrão)

 

EVANGELHO – Jo 6, 24-35

 

«Quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede»

 

Depois da multiplicação dos pães, Jesus faz um longo comentário, em que Se vai apresentando, pouco a pouco, como o verdadeiro pão da vida. Ele é o verdadeiro Moisés, ou melhor, é Aquele que realiza agora em plenitude a missão que Moisés, no Antigo Testamento, realizou como figura dos tempos de Jesus. Hoje o Senhor convida-nos a recebê-l’O, antes de mais, pela fé.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago, subiram todos para as barcas e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo». Disseram-Lhe então: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?». Respondeu-lhes Jesus: «A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou». Disseram-Lhe eles: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: ‘Deu-lhes a comer um pão que veio do Céu’». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo». Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

O OLHAR DA FÉ

 

O episódio das codornizes, que, provenientes do Norte, descem no Sinai a fim de repousar na sua migração para o sul, pode ser inteiramente natural; mas naquele momento crítico de Israel no deserto assume um significado providencial. O mesmo se poderia dizer do maná, que, segundo alguns comentadores, seria uma tamargueira com sementes de alto valor nutritivo. De qualquer modo, não importa definir-lhe a natureza, mas apreender o seu significado religioso.

É a visão religiosa dos fatos que faz Moisés dizer: “Eis que vou fazer chover pão do céu para vós”. “É o pão que o Senhor vos dá como alimento”. A interpretação do seu nome: “Que é isto?

 

A certeza de ter Deus connosco

O fundo religioso do relato concerne à certeza adquirida pelo povo de uma intervenção especial de Deus. Naquela situação difícil, dá-se um fenómeno no qual eles vêem um sinal da presença de Deus destinada a confortá-los. Diante da condição de precariedade em que se encontra no deserto, o povo incrédulo como que desafia Deus a agir e a manifestar-se: “Deus está ou não no meio de nós?” (Ex 17,7): Deus responde-lhe manifestando o seu poder com o dom do maná, entre outros. O maná, por sua vez, é uma interpelação de Deus ao seu povo, para educá-lo, pondo-o à prova: “...para ver se anda segundo a minha lei ou não”. Dando-lhe este meio de subsistência. Deus, de facto, faz-lhe notar a sua presença eficaz, mas convida o homem a não contar só com alimentos terrenos, que, como o maná, depois de algum tempo, cansam e tomam-se insípidos. Há outro alimento misterioso que vem do céu, do qual o maná é símbolo: a palavra de Deus (Dt 8,25).

Cristo, no deserto, confirma e acentua o ensinamento já presente no Antigo Testamento: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,1-4), e renova essa doutrina alimentando o povo de Deus com um pão miraculoso. O pão que Jesus dá é o “Pão da vida”. No evangelho de João, esta expressão está ligada à árvore da vida do paraíso, símbolo da imortalidade, da qual o homem foi privado pelo pecado. O maná do deserto não era capaz de restituir essa imortalidade, mas Jesus concede-a em resposta à fé. No pão da vida há, pois, uma figura escatológica: Jesus é a verdadeira vida imortal para a qual o homem tende desde o princípio, e que agora se lhe torna possível e acessível pela fé. Mas não só com a fé; é necessário um pão concreto que exigirá uma real alimentação e que nos unirá assim ao mistério da cruz.

 

O significado dos milagres

Provavelmente, o aspecto maravilhoso das intervenções de Deus no deserto do Sinai deixa surpreendido o homem moderno, que não crê muito na intervenção imediata de Deus no curso dos acontecimentos. Pelo menos, cristãos e não-cristãos estão de acordo em não buscar mais Deus só no miraculoso, mas em descobri-lo no centro da promoção do homem; não na superfície ou no invólucro das coisas e dos acontecimentos, mas no íntimo do dinamismo da história.

Os próprios milagres só são sinais compreensíveis através da fé. Como Jesus só é aceite na sua realidade pela fé e na fé, também os milagres só são compreendidos na sua realidade (sinais de um mundo novo) através da fé.

O tema central das duas leituras analisadas (1ª leitura e evangelho) é, pois, a fé, mas a fé vista numa perspectiva diversa da do domingo passado. Ali, a fé era como que o resultado do sinal dado por Jesus, enquanto aqui, é a sua premissa. Lá, Jesus faz o milagre para suscitar a fé; aqui, Jesus diz que o milagre não pode ser crido e aceite sem a fé. Não há contradição; trata-se de dois aspectos complementares da fé, como docilidade a Deus, e como adesão à sua pessoa.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Santificai, Senhor, estes dons que Vos oferecemos como sacrifício espiritual e fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Sab 16, 20

Saciastes o vosso povo com o pão dos Anjos,

destes-nos, Senhor, o pão do Céu.

 

Ou – Jo 6, 35

 

Eu sou o pão da vida, diz o Senhor.

Quem vem a Mim nunca mais terá fome,

quem crê em Mim nunca mais terá sede.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Senhor, que nos renovais com o pão do Céu, protegei-nos sempre com o vosso auxílio, fortalecei-nos todos os dias da nossa vida e tornai-nos dignos da redenção eterna.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.