domingo, 17 de outubro de 2021

O FILHO DO HOMEM VEIO PARA DAR A VIDA PELA REDENÇÃO DE TODOS

 


DOMINGO XXIX DO TEMPO COMUM – ano B – 17OUT2021

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 16, 6.8.9

Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco,

ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras.

Guardai-me dos meus inimigos, Senhor.

Protegei-me à sombra das vossas asas.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Is 53, 10-11

«Se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira»

 

Esta leitura é um dos chamados “Cânticos do Servo de Deus” do Livro de Isaías. Este Servo apresenta-se como alguém que leva o seu espírito de serviço até ao ponto de dar a própria vida pela salvação da multidão. Jesus há-de realizar, da maneira mais perfeita que se possa imaginar, esta figura do Servo de Deus, e ensinou que este é o único caminho para entender a sua missão e a nossa, como seus discípulos e membros do seu povo.

 

Leitura do Livro de Isaías

Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33), 4-5.18-19.20.21 (R. 22)

 

Refrão: Desça sobre nós a vossa misericórdia,

porque em Vós esperamos, Senhor. (Repete-se)

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor. (Refrão)

 

Os olhos do Senhor estão voltados

para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome. (Refrão)

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor. (Refrão)

 

LEITURA II – Hebr 4, 14-16

 

«Vamos cheios de confiança ao trono da graça»

 

Por uma coincidência feliz, esta leitura liga-se hoje muito bem às outras duas. Fala-nos ela de Cristo como nosso Sacerdote. Ele não só Se ofereceu a Si mesmo ao Pai por nós, mas, como fruto dessa oblação, Ele mesmo, em sua humanidade, penetrou nos Céus e lá colocou, à direita do Pai, a nossa pobre humanidade, por Ele salva. Aí Ele continua a ser o Sacerdote da humanidade, por quem sempre intercede junto do Pai. Podemos, por isso, aproximar-nos confiantes de Deus, que nos acolhe com a sua graça.

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Mc 10, 45

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

O Filho do homem veio para servir

e dar a vida pela redenção de todos. (Refrão)

 

EVANGELHO – Mc 10, 35-45

 

«O Filho do homem veio para dar a vida pela redenção de todos»

 

Jesus realizou em Si a figura do Servo de Deus, de que falava a primeira leitura. E, se hoje O reconhecemos como “Senhor”, foi porque o Pai O exaltou e Lhe deu esse nome, que está acima de todos os nomes, depois de Ele ter sido obediente até à morte e morte de cruz. O caminho que O levou à glória foi o do serviço até à morte.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?». Eles responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?». Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado. Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». Os outros dez, ouvindo isto, começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

ENTRE VÓS NÃO SEJA ASSIM

 

Jesus anuncia a sua morte como consequência de toda a sua vida. Enquanto isso, Tiago e João sonham com poder e honrarias, suscitando discórdia e competição entre os outros discípulos. Jesus mostra que a única coisa importante para o discípulo é seguir o exemplo dele: servir e não ser servido. Na nova sociedade que Jesus projecta, a autoridade não é exercício de poder, mas a qualificação para o serviço que se exprime na entrega de si mesmo para o bem comum. A formação dos discípulos exigiu de Jesus estar muito atento ao que se passava no íntimo deles. Muitas vezes os seus ensinamentos eram acolhidos de maneira inconveniente; ou havia descompasso entre o que lhes-era ensinado e o que eles captavam. Durante a subida para Jerusalém, o Mestre deu-se conta de como os seus discípulos estavam pouco sintonizados com ele. Enquanto declarava estar caminhando para a morte, que seria entregue nas mãos dos estrangeiros e sofreria toda a sorte de escárnios e flagelos, os quais culminariam com a crucificação, dois de seus discípulos pretendiam garantir os melhores lugares no Reino que imaginavam iria ser instaurado pelo Messias Jesus. Antes que alguém se antecipasse, queriam estar certos de serem os principais beneficiários desse futuro Reino, entendido em termos políticos. Jesus não admitiu a pretensão dos discípulos. Combateu-a severamente e indicou como se deve comportar um discípulo do Reino, para se contrapor à mentalidade dos opressores e tiranos deste mundo. O desejo de grandeza deveria ser substituído pelo ideal de serviço e a busca dos primeiros lugares haveria de ser substituída pelo ideal de se colocar como último de todos. Bastava que observassem o comportamento do Mestre que procurava estar ao serviço de todos e iria dar a própria vida por todos. Jesus, pela terceira vez, adverte os discípulos que irá a Jerusalém não para assumir o poder, mas para enfrentar as autoridades religiosas de Israel no próprio Templo, fazendo o seu anúncio libertador ao povo que para ali acorre por ocasião da festa da Páscoa judaica. Os discípulos não entendem. Ainda vêem Jesus como aquele que vai assumir o poder e querem usufruir deste imaginário privilégio. Jesus adverte que a luta pelo poder não mudará a relação entre o opressor e o oprimido. A transformação fundamental é o assumir a prática do serviço à vida na comunhão fraterna com os excluídos, na luta pela justiça na sociedade e pela partilha dos bens da criação, retidos nas mãos de minorias opulentas.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 32, 18-19

Os ricos empobrecem e passam fome;

mas nada falta aos que procuram o Senhor.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

domingo, 10 de outubro de 2021

VENDE O QUE TENS E SEGUE-ME

 

DOMINGO XXVIII DO TEMPO COMUM – ano B – 10OUT2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 129, 3-4

Se tiverdes em conta as nossas faltas,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão, Senhor Deus de Israel.

 

ORAÇÃO COLECTA

Nós Vos pedimos, Senhor, que a vossa graça preceda e acompanhe sempre as nossas acções e nos torne cada vez mais atentos à prática das boas obras.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Sab 7, 7-11

«Considerei a riqueza como nada, em comparação com a sabedoria»

 

A sabedoria é um dos temas mais queridos de certas épocas e de certos povos, como o era na época em que foi escrito o livro donde é tirada esta leitura. A sabedoria é, na Sagrada Escritura, um dom de Deus, que leva o homem a saber apreciar e interpretar a vida e os acontecimentos segundo o pensamento e os critérios de Deus, que Ele mesmo nos revela. É esta sabedoria que nos há-de levar a compreender as palavras de Jesus que vamos depois escutar no Evangelho.

 

Leitura do Livro da Sabedoria

Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria. Preferi-a aos ceptros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada. Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo. Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue. Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inumeráveis.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 89 (90), 12-13.14-15.16-17 (R. 14)

 

Refrão: Saciai-nos, Senhor, com a vossa bondade e exultaremos de alegria. (Repete-se)

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias,

para chegarmos à sabedoria do coração.

Voltai, Senhor! Até quando?

Tende piedade dos vossos servos. (Refrão)

 

Saciai-nos, desde a manhã, com a vossa bondade,

para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.

Compensai em alegria os dias de aflição,

os anos em que sentimos a desgraça. (Refrão)

 

Manifestai a vossa obra aos vossos servos

e aos seus filhos a vossa majestade.

Desça sobre nós a graça do Senhor.

Confirmai em nosso favor a obra das nossas mãos. (Refrão)

 

LEITURA II – Hebr 4, 12-13

 

«A palavra de Deus é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração»

 

Esta leitura faz a apresentação de certos aspectos da Palavra de Deus. Ela é palavra eficaz: realiza sempre aquilo que diz. Ela não é apenas um som que se ouve: ela penetra até ao mais fundo do coração, e só ela é capaz de pôr o homem, no seu íntimo, diante da verdade total. Ela tudo ilumina e não deixa que haja esconderijos nem disfarces; ela é como o olhar de Deus: tudo penetra e tudo ilumina.

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

A palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que uma espada de dois gumes: ela penetra até ao ponto de divisão da alma e do espírito, das articulações e medulas, e é capaz de discernir os pensamentos e intenções do coração. Não há criatura que possa fugir à sua presença: tudo está patente e descoberto a seus olhos. É a ela que devemos prestar contas.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Mt 5, 3

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus. (Refrão)

 

EVANGELHO – Mc 10, 17-30

 

«Vende o que tens e segue-Me»

 

A vida segundo o Evangelho não é um negócio, não se lhe deitam cálculos como quem olha para a sua conta no banco. É antes a resposta de fé à Palavra de Deus. E um dos obstáculos que mais frequentemente impede de compreender e responder prontamente à Palavra de Deus são os bens da terra. Só a sabedoria de Deus nos poderá trazer a luz necessária para aceitarmos, com fé e esperança, a palavra do Senhor, que é a palavra da salvação.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e perguntou- Lhe: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

RIQUEZA E DISPONIBILIDADE

 

A concepção de riqueza e pobreza diverge tanto entre o Antigo e o Novo Testamento que em alguns casos chegam a parecer opostas. Até nos textos mais recentes, o Antigo Testamento se compraz em relevar a riqueza das personagens da história de Israel: a de Jó e a dos reis Davi, Josafá, Ezequias. Deus enriquece aos que ama: Abraão, Isaac, Jacó. A riqueza é sinal da generosidade divina, imagem da abundância messiânica. A prosperidade material é sinal da bênção e aceitação divina.

 

Uma nova perspectiva

A atitude de Jesus e das primeiras comunidades cristãs diante da riqueza é, de certa maneira, diversa, quase desumana. O “ai de vós, os ricos” tem o tom de uma condenação sem apelo. A diversidade entre o juízo do evangelho e do Antigo Testamento a respeito da riqueza é percebida em toda a sua amplidão quando se põem as bem-aventuranças e as maldições do sermão da montanha diante das bem-aventuranças e das maldições prometidas pelo Deuteronómio, conforme seja ou não Israel fiel à aliança (Dt 28). Aí a distância entre o Antigo e o Novo Testamento é mais evidente. E isto porque a mensagem do Reino anuncia o dom total de Deus, que requer a disponibilidade e o desprendimento mais completos. Para adquirir a pérola preciosa, o tesouro único, para seguir Jesus é preciso vender tudo. De facto, não se pode servir a dois senhores, e o dinheiro é um senhor exigente; sufoca; para o avarento, a palavra do evangelho faz esquecer o essencial, a soberania de Deus, bloqueia, no caminho da perfeição, os corações mais bem-dispostos (evangelho). E uma lei não admite excepções nem atenuações: “Quem não renuncia a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 33). Só os pobres são capazes de acolher a Boa-nova (Is 61, 1; Lc 4, 18), e, precisamente, fazendo-se pobre por nós é que o Senhor pôde enriquecer-nos (2Cor 8,9) com as suas “imperscrutáveis riquezas” (Ef 3, 8)

 

Disponibilidade e desapego

O Dinheiro (a riqueza) não é mau; torna-se mau quando o homem coloca nele a sua última riqueza e faz dela o seu deus, dizendo-lhe o “amém” que é devido só a Deus; em si, é realidade boa que serve para todos.

Pode, certamente, ser símbolo de muitas “iniquidades” e lembrar as terríveis injustiças à custa das quais foi adquirido; mas é principalmente símbolo do trabalho humano que é por ele retribuído, e das esperanças humanas que ele pode realizar. Unido ao progresso pessoal e colectivo do homem é, dum certo ponto de vista, o símbolo actual e eficaz dos esforços passados e das esperanças futuras. É o “ter” adquirido para poder “ser”. A este título, participa verdadeiramente do devir liberdade humana. Aliás, o dinheiro é também o meio para se fazer o bem. Com ele se obtém o pão para dar aos famintos, a água para os sedentos; pode ser símbolo da caridade, quando esta se traduz concretamente exercendo-se em favor dos homens.

 

Comprometer-se é partilhar

Na realidade, a pobreza proposta também ao rico não significa “não ter nada”, mas comprometer-se com os pobres, especialmente com os que não têm capacidade de se organizar, de se defender ou de se libertar. Comprometer-se cristãmente é partilhar as próprias riquezas, como Francisco de Assis; é esforçar-se numa extenuante acção sindical pela melhoria das condições de trabalho ou pelo aumento de salário; é ser solidário numa greve justa, ainda que à custa da diminuição do próprio ordenado.

“Os cristãos que participam activamente no actual desenvolvimento económico-social e lutam pela justiça e caridade, estejam convencidos de que podem contribuir muito para o bem-estar da humanidade e a paz do mundo. Nestas actividades, individual ou colectivamente, brilhem pelo mundo. Nestas actividades, individual ou colectivamente, brilhem pelo exemplo. Tendo adquirido a competência e a experiência absolutamente indispensáveis no meio das actividades terrestres, observem a hierarquia dos valores, fiéis a Cristo e ao evangelho, de tal modo que toda a sua vida individual e social seja impregnada do espírito das bem-aventuranças, destacando-se a pobreza”.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Aceitai, Senhor, as orações e as ofertas dos vossos fiéis e fazei que esta celebração sagrada nos encaminhe para a glória do Céu.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 33, 11

Os ricos empobrecem e passam fome;

mas nada falta aos que procuram o Senhor.

 

Ou – 1 Jo 3, 2

 

Quando o Senhor Se manifestar,

seremos semelhantes a Ele,

porque O veremos na sua glória.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Deus de infinita bondade,

que nos alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho,

tornai-nos também participantes da sua natureza divina.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


domingo, 3 de outubro de 2021

NÃO SEPARE O HOMEM O QUE DEUS UNIU

 

DOMINGO XXVII DO TEMPO COMUM – ano B – 03OUT2021 


MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Est 13, 9.10-11

Senhor, Deus omnipotente,

tudo está sujeito ao vosso poder

e ninguém pode resistir à vossa vontade.

Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas

que estão sob o firmamento.

Vós sois o Senhor do universo.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Gen 2, 18-24

«E os dois serão uma só carne»

 

A uma pergunta dos discípulos Jesus expõe a doutrina evangélica sobre a indissolubilidade do matrimónio. Jesus apela para a passagem da Sagrada Escritura, em que, logo desde o princípio, se expõe o sentido do casamento. De uma forma poética, apresenta-se a união do homem e da mulher como união de amor, que faz dos dois um só.

 

Leitura do Livro do Génesis

Disse o Senhor Deus: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele». Então o Senhor Deus, depois de ter formado da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, conduziu-os até junto do homem, para ver como ele os chamaria, a fim de que todos os seres vivos fossem conhecidos pelo nome que o homem lhes desse. O homem chamou pelos seus nomes todos os animais domésticos, todas as aves do céu e todos os animais do campo. Mas não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então o Senhor Deus fez descer sobre o homem um sono profundo e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma costela, fazendo crescer a carne em seu lugar. Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. Ao vê-la, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem». Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 127 (128 ), 1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5)

 

Refrão: O Senhor nos abençoe em toda a nossa vida. (Repete-se)

 

Feliz de ti que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem. (Refrão)

 

Tua esposa será como videira fecunda

no íntimo do teu lar;

teus filhos como ramos de oliveira,

ao redor da tua mesa. (Refrão)

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião o Senhor te abençoe:

vejas a prosperidade de Jerusalém

todos os dias da tua vida;

e possas ver os filhos dos teus filhos.

Paz a Israel. (Refrão)

 

LEITURA II – Hebr 2, 9-11

 

«Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só»

 

A Epístola aos Hebreus é um verdadeiro tratado sobre o sacerdócio de Jesus Cristo. Jesus é o Filho de Deus, mas que Se fez nosso irmão para nos conduzir, em Si, até ao Pai. Mistério de condescendência, de misericórdia, de humilhação e glória!

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

Irmãos: Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos. Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – 1 Jo 4, 12

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Se nos amamos uns aos outros,

Deus permanece em nós

e o seu amor em nós é perfeito. (Refrão)

 

EVANGELHO – Mc 10, 2-16

 

«Não separe o homem o que Deus uniu»

 

Respondendo a uma pergunta posta pelos fariseus, Jesus pronuncia a condenação do divórcio, citando a palavra do Génesis, proclamada na primeira leitura. Aí o casal humano é apresentado como tendo sido assim constituído desde, o seu princípio, pela vontade de Deus Criador.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus para O porem à prova e perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto. Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério». Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas.

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

VIVER SEGUNDO A VONTADE DE DEUS

 

Jesus recusa ver o matrimónio a partir de permissões e restrições legalistas. Ele reconduz o matrimónio ao seu sentido fundamental: aliança de amor e, como tal, abençoada por Deus e com vocação de eternidade. Diante desse princípio fundamental, marido e mulher são igualmente responsáveis por uma união que deve crescer sempre e os dois se equiparam quanto aos direitos e deveres. Entre os rabinos, discutia-se sobre os motivos que permitiriam ao homem despedir a sua mulher. Para o rabino Hillel e seus discípulos, por qualquer razão, o homem poderia despedi-la. Já para o rabino Shammai e seus seguidores, havia mais rigor nos critérios para justificar o direito do homem. De qualquer modo, predominava a visão patriarcal da mulher como posse do marido. Jesus rejeita a Lei de Moisés que atendia à dureza dos corações daqueles homens. A referência é o amor de Deus que se manifesta na criação. Deus criou o homem e a mulher para uma união em igualdade no amor. Aqui a criança serve de exemplo não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é o símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. Principalmente na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social. A criança é, portanto, o símbolo do pobre marginalizado, que está vazio de si mesmo, pronto para receber o Reino. Quando os discípulos discutiam quem era o maior, Jesus apresentou-lhes uma criança, com a qual os discípulos se devem identificar. Agora, o evangelista Marcos reapresenta o tema da criança como modelo para os discípulos. Ao repreenderem severamente as pessoas que traziam crianças para Jesus tocá-las, os discípulos demonstravam a sua incompreensão em relação à prática acolhedora de Jesus. De maneira semelhante será repreendido o cego que quer aproximar-se de Jesus em Jericó. O facto provoca a indignação de Jesus. O Reino dos Céus é das pessoas que são assim como as crianças. É como que o renascer pelo Espírito, anunciado por Jesus a Nicodemos no evangelho de João. Ser criança é abandonar-se nas mãos de Deus, com coração puro, sem malícias e cheia de esperança no encontro com a vida. No seu relacionamento com as multidões, Jesus percebe o ser criança nos pobres, desamparados, oprimidos. Estes são abençoados por Jesus e recebem o Reino de Deus. Aqueles que optam pela segurança das riquezas acumuladas e do poder, o que só pode ser conseguido por via da opressão e da exploração, excluem-se do Reino. Acolher uma criança é assumir a humildade, a pequenez e a fragilidade diante de Deus.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Aceitai, Senhor, o sacrifício que Vós mesmo nos mandastes oferecer e, por estes sagrados mistérios que celebramos, confirmai em nós a obra da redenção.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Lam 3, 25

O Senhor é bom para quem n’Ele confia,

para a alma que O procura.

 

Ou – 1 Cor 10, 17

 

Porque há um só pão, todos somos um só corpo,

nós que participamos do mesmo cálice e do mesmo pão.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Deus todo-poderoso, que neste sacramento saciais a nossa fome e a nossa sede, fazei que, ao comungarmos o Corpo e o Sangue do vosso Filho, nos transformemos n’Aquele que recebemos.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.