domingo, 21 de novembro de 2021

A REALEZA DE JESUS

 

 


DOMINGO XXXIV DO TEMPO COMUM – ano B – 21NOV2021

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Ap 5, 12; 1, 6

O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder

e a riqueza, a sabedoria, a honra e o louvor.

Glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus eterno e omnipotente, que no vosso amado Filho, Rei do universo, quisestes instaurar todas as coisas, concedei propício que todas as criaturas, libertas da escravidão, sirvam a vossa majestade e Vos glorifiquem eternamente.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Dan 7, 13-14

«O seu poder é eterno»

 

O “Filho de homem” de que fala o profeta é a maneira de falar que Jesus depois adoptou, aplicando-a a Si mesmo. Este “Filho de homem” que recebe de Deus um reino eterno é Jesus, que, pela oblação de Si mesmo ao Pai na Cruz, mereceu a glória da ressurreição, e assim Se tornou o “Primogénito de entre os mortos”, Cabeça de toda a humanidade por Ele remida, Senhor de todo o Universo, sentado à direita do Pai.

 

Leitura da Profecia de Daniel

Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos, nações e línguas O serviram. O seu poder é eterno, não passará jamais, e o seu reino não será destruído.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 92 (93), 1ab.1c-2.5 (R. 1a)

 

Refrão: O Senhor é rei num trono de luz. (Repete-se)

 

O Senhor é rei,

revestiu-Se de majestade,

revestiu-Se e cingiu-Se de poder. (Refrão)

 

Firmou o universo, que não vacilará.

É firme o vosso trono desde sempre,

Vós existis desde toda a eternidade. (Refrão)

 

Os vossos testemunhos são dignos de toda a fé,

a santidade habita na vossa casa

por todo o sempre. (Refrão)

 

LEITURA II – Ap 1, 5-8

 

«O Príncipe dos reis da terra fez de nós um reino de sacerdotes para Deus»

 

O Apocalipse de S. João, escrito em tempo de perseguição, proclama, para além da opressão e da morte infligida à Igreja, o triunfo pascal de Jesus, o Crucificado, mas agora Ressuscitado. Ele é Rei e Sacerdote diante de Deus. E os membros do seu povo, que é o seu Corpo místico, são, com Ele e n’Ele, reis e sacerdotes; são um povo real e sacerdotal; assim os fez o Baptismo.

 

Leitura do Apocalipse

Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen. Ei-l’O que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Ámen. «Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo».

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Mc 11, 9.10

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Bendito o que vem em nome do Senhor,
bendito o reino do nosso pai David. (Refrão)

 

EVANGELHO – Jo 18, 33b-37

 

«É como dizes: sou Rei»

 

No tribunal judaico do Sinédrio, Jesus tinha aplicado a Si o título de “Filho do homem”, referido pelo profeta Daniel na primeira leitura. Agora, no tribunal romano diante de Pilatos, confirma o título de Rei, que os seus inimigos citam contra Ele como motivo de condenação. Mas, só os que são da verdade podem compreender o que diz a sua voz.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. João

Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos Judeus?». Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?». Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

 

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

 

Jesus confirma que é rei. A Sua realeza, porém, não é semelhante à dos poderosos deste mundo. Estes exploram e oprimem o povo, enganando-o com um sistema de ideias, para esconder a sua acção. É o mundo da mentira. Jesus, ao contrário, é o Rei que dá a vida, trazendo aos homens o conhecimento do verdadeiro Deus e do verdadeiro homem. Seu reino é o reino da verdade, onde a exploração dá lugar à partilha, e a opressão dá lugar à fraternidade. O messianismo, que surge a partir do exílio da Babilónia, tem origem na figura de David. A tradição de Israel apresenta-o como um rei glorioso que fundou um pequeno império ao dominar os povos vizinhos. Neste contexto, foi criada uma teologia imperial davídica, fortalecida pela profecia da aliança de Deus com David, à semelhança do poder religioso dos faraós, que se apresentavam como filhos do deus dinástico Amon-Rá. A partir do exílio na Babilónia, tendo desaparecido a sucessão de reis da dinastia davídica, os judeus, israelitas remanescentes na Judeia, permaneceram sob o domínio de impérios sucessivos. Muitos passaram, então, a aspirar pelo aparecimento de um “ungido”, o messias ou cristo, que seria um rei que com poder e glória restauraria o esplendor que a tradição atribuía ao antigo reino de Judá. No tempo de Jesus, sob o Império Romano, a expectativa messiânica era diversificada e intensa. Os próprios discípulos de Jesus que vieram do judaísmo participavam desta expectativa, que perdurou mesmo após sua morte, assumindo a forma de messianismo celestial. Jesus, com sua marcante liderança popular, foi confundido com o messias davídico. Daí se origina a atribuição do título de rei a ele, o que se evidencia, também, neste diálogo com Pilatos. A afirmação: “Meu reino não é deste mundo”, isto é, desta ordem de coisas, significa que ser rei dos judeus é próprio da ordem deste mundo. Jesus não pertence a esta ordem. Ele fala no Reino de Deus como o reino de “meu Pai”. Ao falar em “meu reino”, ele se situa como cidadão desse reino. A nova comunidade é o Reino de Deus, e seu carácter é o amor que se concretiza no serviço, e não a coroa real, seja na terra, seja no céu. Ao dizer: “Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus”, Jesus coloca-se do lado dos gentios. “Tu dizes que eu sou rei”, isto é, quem o diz é Pilatos. “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade”. E a verdade é a paternidade de Deus, a fraternidade entre homens e mulheres em torno de Jesus, na comunhão de amor. A condição terrena de Jesus é a imagem de sua condição celestial: “Quem me vê, vê o Pai”. “Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele”. Jesus é a expressão desse amor na simplicidade da condição humana, na fraternidade e no serviço, o que o desqualifica para ser rei tanto na terra como no céu.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Aceitai, Senhor, este sacrifício da reconciliação humana e, pelos méritos de Cristo vosso Filho, concedei a todos os povos o dom da unidade e da paz.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 28, 10-11

O Senhor está sentado como Rei eterno;

O Senhor abençoará o seu povo na paz.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Senhor, que nos alimentastes com o pão da imortalidade, fazei que, obedecendo com santa alegria aos mandamentos de Cristo, Rei do universo, mereçamos viver para sempre com Ele no reino celeste.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

domingo, 14 de novembro de 2021

REUNIRÁ OS SEUS ELEITOS DOS QUATRO PONTOS CARDEAIS

 

DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM – ano B – 14NOV2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Jer 29, 11.12.14

Os meus pensamentos são de paz

e não de desgraça, diz o Senhor.

Invocar-Me-eis e atenderei o vosso clamor,

e farei regressar os vossos cativos

de todos os lugares da terra.

 

ORAÇÃO COLECTA

Senhor nosso Deus, concedei-nos a graça de encontrar sempre a alegria no vosso serviço, porque é uma felicidade duradoira e profunda ser fiel ao autor de todos os bens.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Dan 12, 1-3

«Nesse tempo virá a salvação para o teu povo»

 

Em tempo de grande perseguição religiosa sofrida pelo povo de Deus no fim do Antigo Testamento, o profeta aponta a ressurreição futura como o destino último dos que estavam sendo vítimas da perseguição. A última palavra haveria de ser não a da morte, mas a da vida, como algum tempo depois se manifestou claramente na ressurreição de Cristo. Ao chegarmos quase ao fim do ano litúrgico, surge no horizonte a luz da glória da vida eterna para além da morte.

 

Leitura da Profecia de Daniel

Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe dos Anjos, que protege os filhos do teu povo. Será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. Mas nesse tempo, virá a salvação para o teu povo, para aqueles que estiverem inscritos no livro de Deus. Muitos dos que dormem no pó da terra acordarão, uns para a vida eterna, outros para a vergonha e o horror eterno. Os sábios resplandecerão como a luz do firmamento e os que tiverem ensinado a muitos o caminho da justiça brilharão como estrelas por toda a eternidade.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 15 (16), 5.8.9-10.11 (R. 1)

 

Refrão: Defendei-me, Senhor: Vós sois o meu refúgio. (Repete-se)

 

Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,

está nas vossas mãos o meu destino.

O Senhor está sempre na minha presença,

com Ele a meu lado não vacilarei. (Refrão)

 

Por isso o meu coração se alegra

e a minha alma exulta

e até o meu corpo descansa tranquilo.

Vós não abandonareis a minha alma

na mansão dos mortos,

nem deixareis o vosso fiel sofrer a corrupção. (Refrão)

 

Dar-me-eis a conhecer os caminhos da vida,

alegria plena em vossa presença,

delícias eternas à vossa direita. (Refrão)

 

LEITURA II – Hebr 10, 11-14.18

 

«Por uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que foram santificados»

 

Uma vez que Se ofereceu ao Pai na Cruz em sacrifício, Jesus entrou no santuário celeste como o manifestou a sua ressurreição. É essa a salvação total e perfeita. A partir daí, e pelos merecimentos em que Ele, por misericórdia de Deus, nos quer fazer participar, todos nós podemos, com Ele e por Ele, entrar também no santuário celeste. É essa a esperança dos cristãos: passar, com Cristo, da morte à ressurreição.

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

Todo o sacerdote da antiga aliança se apresenta cada dia para exercer o seu ministério e oferecer muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca poderão perdoar os pecados. Cristo, ao contrário, tendo oferecido pelos pecados um único sacrifício, sentou-Se para sempre à direita de Deus, esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés. Porque, com uma única oblação, tornou perfeitos para sempre os que Ele santifica. Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Lc 21, 36

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Vigiai e orai em todo o tempo,

para poderdes comparecer

diante do Filho do homem. (Refrão)

 

EVANGELHO – Mc 13, 24-32

 

«Reunirá os seus eleitos dos quatro pontos cardeais»

 

O ano caminha para o seu termo, não como para um fim sem além, mas como para o supremo momento de quem tem vivido na expectativa de alguém que vai chegar e quer ser acolhido. É o Senhor Jesus, o Filho do Homem, que virá para congregar os homens em Si, e os levar consigo para o Pai. Aí será o lugar do repouso eterno, para quem viver esta vida presente na expectativa feliz do Senhor que vem. Expectativa e preparação são atitudes fundamentais de toda a vida cristã, hoje lembradas de maneira particular.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

 

A HISTÓRIA E O FIM DOS TEMPOS

 

A queda de Jerusalém manifesta e antecipa o julgamento com que Deus acompanha toda a história, e que consumará no fim dos tempos. O Filho do Homem é Jesus que, pela sua morte e ressurreição, testemunhadas pelos discípulos, irá reunir todo o povo de Deus. Somente agora Jesus responde à pergunta dos discípulos. Mas, em vez de dizer “quando” ou “como” acontecerá o fim, ele indica apenas como o discípulo se deve comportar na história. A tarefa do discípulo é testemunhar sem desanimar, continuando a acção de Jesus. A espera da plena manifestação de Jesus e do mundo novo por ele prometido impede, de um lado, que o discípulo se instale na situação presente; de outro, evita que o discípulo desanime, achando que o projecto de Jesus é difícil, distante e inviável. O discurso escatológico de Jesus sobre o fim dos tempos, que encontramos nos três Evangelhos sinópticos, iniciado com o anúncio da destruição do templo de Jerusalém, descreve as tribulações que advirão, particularmente sobre a própria cidade de Jerusalém. Na conclusão deste discurso, no Evangelho de hoje, é apresentado o tema da manifestação do Filho do Homem. A expressão “filho do homem” aparece muitas vezes no Novo Testamento, como reforço ao termo “homem”, de maneira genérica. “Deus não é homem que minta; nem filho de homem para que se arrependa” (Nm 23,19); “Se as estrelas não são puras a seus olhos, quanto menos o homem, essa larva, e o filho do homem, esse verme?”; “Pois, quem és tu, para que temas o homem que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva?”. No profeta Ezequiel, a expressão é aplicada de modo personalizado (93 vezes) ao próprio profeta, significando a sua condição humana e frágil. No livro de Daniel, a expressão aparece duas vezes. Uma indicando a simples condição humana e, outra, o Filho do Homem vindo sobre as nuvens . Neste último caso, vislumbra-se um futuro de glória para o “homem”, aqui, referindo-se ao povo que se considerava eleito, o qual dominaria todos os povos, nações e línguas. Jesus, inúmeras vezes, aplica a si mesmo este título de “Filho do Homem” para indicar a sua simples condição humana, contrapondo-se à figura messiânica davídica gloriosa esperada pelo povo judeu. Nas poucas referências ao Filho do Homem vindo sobre as nuvens, pode-se ver a alusão à dignificação do humano, assumido na condição divina e na vida eterna. Em conclusão, ao discurso escatológico temos o exemplo dos sinais da natureza, nas árvores que começam a brotar, depois de secas no Inverno, indicando a proximidade do verão. É o dia e a hora da revelação do Filho do Homem, que está próximo. É o processo histórico da crescente conscientização e a valorização da dignidade humana com o empenho na defesa da vida e da natureza. Assim são rejeitados e repudiados os poderes deste mundo que, seduzidos pela ambição das riquezas, promovem a morte.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Concedei-nos, Senhor, que os dons oferecidos para glória do vosso nome nos obtenham a graça de Vos servirmos fielmente e nos alcancem a posse da felicidade eterna.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 72, 28

A minha alegria é estar junto de Deus,

buscar no Senhor o meu refúgio.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Depois de recebermos estes dons sagrados, humildemente Vos pedimos, Senhor: o sacramento que o vosso Filho nos mandou celebrar em sua memória aumente sempre a nossa caridade.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

domingo, 7 de novembro de 2021

ESTA POBRE VIÚVA DEU MAIS DO QUE TODOS OS OUTROS

 


DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM – ano B – 7NOV2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 87, 3

Chegue até Vós, Senhor, a minha oração,

inclinai o ouvido ao meu clamor.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus eterno e misericordioso, afastai de nós toda a adversidade, para que, sem obstáculos do corpo ou do espírito, possamos livremente cumprir a vossa vontade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – 1 Reis 17, 10-16

«Do seu punhado de farinha, a viúva fez um pãozinho e trouxe-o a Elias»

 

Frequentes vezes, a palavra de Deus apresenta o contraste entre a opulência e a pobreza, entre a ostentação e a simplicidade, para nos fazer compreender que os humildes e os simples, que a Sagrada Escritura chama “os pobres”, têm o primeiro lugar aos olhos de Deus. Nesta leitura, vemos como foi uma pobre viúva que soube acolher o profeta de Deus, e como por isso foi recompensada com dons abundantes. Ensinamento semelhante ao que ouviremos no Evangelho.

 

Leitura do Primeiro Livro dos Reis

Naqueles dias, o profeta Elias pôs-se a caminho e foi a Sarepta. Ao chegar às portas da cidade, encontrou uma viúva a apanhar lenha. Chamou-a e disse-lhe: «Por favor, traz-me uma bilha de água para eu beber». Quando ela ia a buscar a água, Elias chamou-a e disse: «Por favor, traz-me também um pedaço de pão». Mas ela respondeu: «Tão certo como estar vivo o Senhor, teu Deus, eu não tenho pão cozido, mas somente um punhado de farinha na panela e um pouco de azeite na almotolia. Vim apanhar dois cavacos de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho. Depois comeremos e esperaremos a morte». Elias disse-lhe: «Não temas; volta e faz como disseste. Mas primeiro coze um pãozinho e traz-mo aqui. Depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Não se esgotará a panela da farinha, nem se esvaziará a almotolia do azeite, até ao dia em que o Senhor mandar chuva sobre a face da terra’». A mulher foi e fez como Elias lhe mandara; e comeram ele, ela e seu filho. Desde aquele dia, nem a panela da farinha se esgotou, nem se esvaziou a almotolia do azeite, como o Senhor prometera pela boca de Elias.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 145 (146), 7.8-9a.9bc-10 (R. 1 ou Aleluia)

 

Refrão: Ó minha alma, louva o Senhor. (Repete-se)

 

Ou: Aleluia. (Repete-se)

 

O Senhor faz justiça aos oprimidos,

dá pão aos que têm fome

e a liberdade aos cativos. (Refrão)

 

O Senhor ilumina os olhos do cego,

o Senhor levanta os abatidos,

o Senhor ama os justos. (Refrão)

 

O Senhor protege os peregrinos,

ampara o órfão e a viúva

e entrava o caminho aos pecadores. (Refrão)

 

O Senhor reina eternamente;

o teu Deus, ó Sião,

é rei por todas as gerações. (Refrão)

 

LEITURA II – Hebr 9, 24-28

 

«Cristo ofereceu-Se uma só vez para tomar sobre Si os pecados de muitos»

 

O sacrifício de Cristo, oferecido por Ele sobre a Cruz, é o momento culminante de toda a vida de Jesus e até da história de toda a humanidade. Oferecendo-Se em sacrifício ao Pai, Ele abriu o caminho para junto de Deus, primeiro para Ele mesmo, como homem que também era, e, em Si e consigo, para todos os que a Ele se entregam e Lhe obedecem, como Ele obedeceu ao Pai. Em Cristo todos podem encontrar o caminho e a porta para Deus.

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para Se apresentar agora na presença de Deus em nosso favor. E não entrou para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que entra cada ano no Santuário, com sangue alheio; nesse caso, Cristo deveria ter padecido muitas vezes, desde o princípio do mundo. Mas Ele manifestou-Se uma só vez, na plenitude dos tempos, para destruir o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. E, como está determinado que os homens morram uma só vez e a seguir haja o julgamento, assim também Cristo, depois de Se ter oferecido uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, aparecerá segunda vez, sem a aparência do pecado, para dar a salvação àqueles que O esperam.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Mt 5, 3

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus. (Refrão)

 

EVANGELHO – Mc 12, 38-44

 

«Esta pobre viúva deu mais do que todos os outros»

 

Como a viúva de que falava a primeira leitura também esta outra viúva a que se refere agora o Evangelho amou mais a palavra de Deus do que os seus poucos bens, que eram, na verdade os únicos e bem pequenos. Mas, por isso mesmo, a sua acção foi de maior alcance e mais meritória do que as grandes dádivas dos que muito possuíam. Gesto bem pequeno, portador de uma grande lição, porque inspirado por um grande amor.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

 

A POBREZA DE CORAÇÃO

 

A POBREZA DE CORAÇÃO

Jesus impõe aos seus discípulos que O prefiram a tudo e a todos e propõe-lhes que renunciem a todos os seus bens por causa d’Ele e do Evangelho. Pouco antes da sua paixão, deu-lhes o exemplo da pobre viúva de Jerusalém que, da sua penúria, deu tudo o que tinha para viver. O preceito do desapego das riquezas é obrigatório para entrar no Reino dos céus.

Todos os fiéis de Cristo devem «ordenar rectamente os próprios afectos, para não serem impedidos de avançar na perfeição da caridade pelo uso das coisas terrenas e pelo apego às riquezas, em oposição ao espírito de pobreza evangélica».

«Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5, 3). As bem-aventuranças revelam uma ordem de felicidade e de graça, de beleza e de paz. Jesus celebra a alegria dos pobres, aos quais o Reino pertence desde já: «O Verbo chama “pobreza em espírito” à humildade voluntária do espírito humano e à sua renúncia; e o Apóstolo dá-nos como exemplo a pobreza de Deus, quando diz: «Ele fez-Se pobre por nós (2 Cor 8, 9)».

O Senhor lamenta-Se dos ricos, porque eles encontram a sua consolação na abundância de bens16. «O orgulhoso procura o poder terreno, ao passo que o pobre em espírito procura o Reino dos céus». O abandono à providência do Pai do céu liberta da preocupação pelo amanhã. A confiança em Deus dispõe para a ‘bem aventurança’ dos pobres. Eles verão a Deus.

 

A ESMOLA

A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola, que exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação radical operada pelo Baptismo ou pelo martírio, citam, como meios de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade «que cobre uma multidão de pecados» (1 Pe 4, 8).

Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias).

Uma intenção boa (por exemplo: ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento em si mesmo desordenado (como a mentira e a maledicência).

O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação dum inocente como meio legítimo para salvar o povo. Pelo contrário, uma intenção má acrescentada (por exemplo, a vanglória) torna mau um acto que, em si, pode ser bom (como a esmola).

A Lei nova pratica os actos da religião: a esmola, a oração, o jejum, ordenando-os para «o Pai que vê no segredo», ao contrário do desejo «de ser visto pelos homens». A sua oração é o «Pai Nosso».

As obras de misericórdia são as acções caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem nomeadamente em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem tecto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos. Entre estes gestos, a esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos, faça o mesmo» (Lc 3, 11). «Dai antes de esmola do que possuis, e tudo para vós ficará limpo» (Lc 11, 41). «Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem do alimento quotidiano, e um de vós lhe disser: “Ide em paz; tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes der o que é necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?» (Tg 2, 15-16)29.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Olhai, Senhor, com benevolência para o sacrifício que Vos apresentamos, a fim de participarmos com sincera piedade no memorial da paixão do vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 22, 1-2

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Leva-me a descansar em verdes prados.

Conduz-me às águas refrescantes

e reconforta a minha alma.

 

Ou – Lc 24, 35

 

Os discípulos reconheceram

o Senhor Jesus ao partir o pão.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Nós Vos damos graças, Senhor, pelo alimento celeste que recebemos e imploramos da vossa misericórdia que, pela acção do Espírito Santo, perseverem na vossa graça os que receberam a força do alto.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.