domingo, 12 de dezembro de 2021

QUE DEVEMOS FAZER?

 


DOMINGO III DO ADVENTO – ano C – 12DEZ2021

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Filip 4, 4.5

Alegrai-vos sempre no Senhor.

Exultai de alegria: o Senhor está perto.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus de infinita bondade, que vedes o vosso povo esperar fielmente o Natal do Senhor, fazei-nos chegar às solenidades da nossa salvação e celebrá-las com renovada alegria.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Sof 3, 14-18a

«O Senhor exulta de alegria por tua causa»

 

O convite à alegria, dirigido pelo profeta a Jerusalém, está fundamentado nesta certeza consoladora: Deus, o Rei de Israel e o Salvador, está presente no meio do Seu Povo, apesar das desordens e pecados passados.

Esta presença amorosa de Deus traz consigo o perdão, suspendendo o castigo, afastando o medo e o desalento e dando origem a uma renovação tão maravilhosa que o próprio Deus Se alegrará perante esta nova criação.

 

Leitura da Profecia de Sofonias

Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. Naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-Se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Is 12, 2-3.4bcd.5-6 (R. 6)

 

Refrão: Exultai de alegria,

porque é grande no meio de vós

o Santo de Israel. (Repete-se)

 

Deus é o meu Salvador,

tenho confiança e nada temo.

O Senhor é a minha força e o meu louvor.

Ele é a minha salvação. (Refrão)

 

Tirareis água com alegria das fontes da salvação.

Agradecei ao Senhor, invocai o seu nome;

anunciai aos povos a grandeza das suas obras,

proclamai a todos que o seu nome é santo. (Refrão)

 

Cantai ao Senhor, porque Ele fez maravilhas,

anunciai-as em toda a terra.

Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião,

porque é grande no meio de vós o Santo de Israel. (Refrão)

 

 

LEITURA II – Filip 4, 4-7

 

«O Senhor está próximo»

 

A Religião cristã é uma religião de alegria. É certo que alguns cristãos ficam apenas na Quaresma, esquecidos de que ela é apenas uma etapa na obra redentora, e de que, para além da Paixão e da Ressurreição, Cristo continua a viver no meio de nós, pondo-nos em comunhão com Deus e com os irmãos.

A alegria é uma consequência da nossa fé, um imperativo do Senhor, que S. Paulo reforça. O cristão deve vivê-la, mesmo nas horas más, deve transmiti-la, dando assim testemunho da presença de Deus no mundo.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com coisa alguma; mas em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Is 61, 1 (cf. Lc 4, 18)

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

O Espírito do Senhor está sobre mim:

enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres. (Refrão)

 

EVANGELHO – Lc 3, 10-18

 

«Que devemos fazer?»

 

João Baptista inserindo-se na linha dos profetas do A. T., para os quais a conversão consistia em voltar a viver o amor de Deus e do próximo, indica aos homens das mais diversas classes sociais qual a penitência agradável a Deus – o cumprimento dos seus deveres, em função do amor do próximo.

Mas a conversão, com o abandono do pecado, é também recepção do Espírito, ou Amor de Deus, princípio duma vida nova, que se comunica mediante um sinal de conversão – o Baptismo.

Ninguém é excluído desta conversão, pois todas as situações humanas se podem viver no amor.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

 

JOÃO BATISTA PREGA A CONVERSÃO

 

João Baptista convida a uma mudança radical de vida, porque já se aproxima o Reino, que vai transformar radicalmente as relações entre os homens. É o tempo do julgamento, e nada adianta ter fé teórica, pois o julgamento basear-se-á nas opções e atitudes concretas que cada um assume. Os fariseus, com a falsa segurança das suas observâncias religiosas, e os saduceus, com as suas intrigas políticas para conservar o poder, pertencem à estrutura que vai ser superada pelo Reino. Naquela época a dinâmica da actuação de João Baptista suscitava especulações sobre a possibilidade de ser ele o próprio Messias. É que havia aparecido alguns pseudoprofetas e pseudomessias, como por exemplo, Teudas, que tinha uns quatrocentos seguidores e um outro chamado de Judas, o Galileu, que também tinha os seus admiradores actuantes (cf. At 5,36-37). Mas, João é enfático: “vem aquele que é mais forte do que eu”. Ele apenas compara o seu baptismo com o de Jesus. O cerne da questão não está centrado no baptismo com água, pois a Igreja primitiva já o fazia, mas que o Baptismo de São João Batista é só na água, enquanto o baptismo de Jesus será definitivo: um acto do Criador que leva à salvação, através do Espírito Santo. A alusão ao fogo resulta no processo da separação entre o joio e o trigo, ou seja, entre os que estão condenados e os que estão salvos.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Fazei, Senhor, que a oblação deste sacrifício se renove sempre na vossa Igreja, de modo que a celebração do mistério por Vós instituído realize em nós plenamente a obra da salvação.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Is 35, 4

Dizei aos desanimados: Tende coragem e não temais.

Eis o nosso Deus que vem salvar-nos.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Concedei, Senhor, pela vossa bondade, que este divino sacramento nos livre do pecado e nos prepare para as festas que se aproximam.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo

 

 


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

 

 A VOSSA LIBERTAÇÃO ESTÁ PRÓXIMA

 IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

 Mais do que qualquer outro tempo do Ano Litúrgico, o Advento é tempo de Maria, pois é nele que A vemos em mais íntima relação com o Seu filho, ao Qual está unida «por vínculo estreito e indissolúvel» (LG. 53).

Se o Senhor veio ao meio dos homens, se Ele vem ainda, é por meio de Maria. N’Ela se cumpre, na verdade, o mistério do Advento.

Embora, na sua origem e no seu princípio, a Solenidade da Imaculada Conceição, que vem do século XI, não nos apareça em ligação com o Advento, contudo ela é uma verdadeira festa do Advento. Ela é a aurora que precede, anuncia e traz em si o Dia novo, que está para surgir no Natal.

Enaltecendo a Virgem Maria, esta Solenidade, em vez de nos desviar do Mistério de Cristo, leva-nos, pelo contrário, a exaltar a obra da Redenção, ao apresentar-nos Aquela que foi a primeira a beneficiar dos seus frutos, tornando-se a imagem e o modelo segundo o qual Deus quer refazer o rosto da Humanidade, desfigurado pelo pecado.

Assim como na aurora se projecta a luz do sol, de cujos raios ela tira a vida, assim em Maria Imaculada se reflecte o poder do Salvador que está para vir: a Seus méritos Ela deve, com efeito, o ter sido «remida de modo mais sublime» (LG. 53).

Festa de Advento, a Solenidade da Imaculada Conceição constitui uma bela preparação para o Natal.

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Is 61, 10

Exulto de alegria no Senhor,

a minha alma rejubila no meu Deus,

que Me revestiu com as vestes da salvação

e Me envolveu com o manto da justiça,

como esposa adornada com suas jóias.

 

ORAÇÃO COLECTA

Senhor nosso Deus, que, pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preparastes para o vosso Filho uma digna morada e, em atenção aos méritos futuros da morte de Cristo, a preservastes de toda a mancha, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

Liturgia da Palavra

 

 

LEITURA I – Gen 3, 9-15.20

«Estabelecerei inimizade entre a tua descendência e a descendência dela»

 

Leitura do Livro do Génesis

Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?».

Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me».

Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?».

Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi».

O Senhor Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?»

E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi».

Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta te esmagará a cabeça e tu a atingirás no calcanhar».

O homem deu à mulher o nome de ‘Eva’, porque ela foi a mãe de todos os viventes.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. 1a)

Refrão: Cantai ao Senhor um cântico novo: o Senhor fez maravilhas. (Repete-se).

 

Cantai ao Senhor um cântico novo,

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória. (Refrão)

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel. (Refrão)

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai. (Refrão)

 

 

LEITURA II – Ef 1, 3-6.11-12

 

«Deus escolheu-nos em Cristo, antes da criação do mundo»

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.

N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença.

Ele nos predestinou, conforme a benevolência da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adoptivos, por Jesus Cristo, para louvor da sua glória e da graça que derramou sobre nós, por seu amado Filho.

Em Cristo fomos constituídos herdeiros, por termos sido predestinados, segundo os desígnios d’Aquele que tudo realiza conforme a decisão da sua vontade, para sermos um hino de louvor da sua glória, nós que desde o começo esperámos em Cristo.

Palavra do Senhor

 

 

ALELUIA – Lc 1, 28

 

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

 

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,

bendita sois Vós entre as mulheres. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Lc 1, 26-38

 

«Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria.

Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo».

Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela.

Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim».

Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?».

O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível».

Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Palavra da Salvação

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

Aceitai, Senhor, o sacrifício de salvação que Vos oferecemos na solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria e, assim como acreditamos que, por vossa graça, ela foi isenta de toda a mancha, sejamos nós, por sua intercessão, livres de toda a culpa.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO

Grandes coisas se dizem de Vós, ó Virgem Maria, porque de Vós nasceu o Sol da justiça, Cristo nosso Deus.

 

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

O sacramento que recebemos, Senhor, cure em nós as feridas daquele pecado, do qual, por singular privilégio, preservastes a Virgem Santa Maria, na sua Imaculada Conceição.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


domingo, 5 de dezembro de 2021

TODA A CRIATURA VERÁ A SALVAÇÃO DE DEUS

 

 DOMINGO II DO ADVENTO – ano C – 05DEZ2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Is 30, 19.30

Povo de Sião: eis o Senhor que vem salvar os homens.

O Senhor fará ouvir a sua voz majestosa

na alegria dos vossos corações.

 

ORAÇÃO COLECTA

Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Bar 5, 1-9

«Deus mostrará o teu esplendor»

 

Deus promete a Israel dias de glória e de bênção, que porão fim ao cativeiro da Babilónia. Os membros do Povo eleito, dispersos, em pequenos grupos, num mundo pagão, hão-de reunir-se, não pelo esforço dos homens, mas por obra do mesmo Deus, em volta de Jerusalém, constituindo, de novo, uma nação com destino próprio.

Como a Israel, Deus também nos libertou, por meio de Jesus Cristo, que veio à terra para nos reunir no Seu Povo, a Sua Igreja, a «Jerusalém do alto» e «nossa mãe».

 

Leitura do Livro de Baruc

Jerusalém, deixa a tua veste de luto e aflição e reveste para sempre a beleza da glória que vem de Deus. Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e coloca sobre a cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus vai mostrar o teu esplendor a toda a criatura que há debaixo do céu; Deus te dará para sempre este nome: «Paz da justiça e glória da piedade». Levanta-te, Jerusalém, sobe ao alto e olha para o Oriente: vê os teus filhos reunidos desde o Poente ao Nascente, por ordem do Deus Santo, felizes por Deus Se ter lembrado deles. Tinham-te deixado, caminhando a pé, levados pelos inimigos; mas agora é Deus que os reconduz a ti, trazidos em triunfo, como filhos de reis. Deus decidiu abater todos os altos montes e as colinas seculares e encher os vales, para se aplanar a terra, a fim de que Israel possa caminhar em segurança, na glória de Deus. Também os bosques e todas as árvores aromáticas darão sombra a Israel, por ordem de Deus, porque Deus conduzirá Israel na alegria, à luz da sua glória, com a misericórdia e a justiça que d’Ele procedem.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 125 (126), 1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R.3)

 

Refrão: Grandes maravilhas fez por nós o Senhor:

por isso exultamos de alegria. (Repete-se)

 

Quando o Senhor fez regressar os cativos de Sião,

parecia-nos viver um sonho.

Da nossa boca brotavam expressões de alegria

e de nossos lábios cânticos de júbilo. (Refrão)

 

Diziam então os pagãos:

«O Senhor fez por eles grandes coisas».

Sim, grandes coisas fez por nós o Senhor,

estamos exultantes de alegria. (Refrão)

 

Fazei regressar, Senhor, os nossos cativos,

como as torrentes do deserto.

Os que semeiam em lágrimas

recolhem com alegria. (Refrão)

 

À ida, vão a chorar,

levando as sementes;

à volta, vêm a cantar,

trazendo os molhos de espigas. (Refrão)

 

Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade

para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos.

O Senhor trata com familiaridade os que O temem

e dá-lhes a conhecer a sua aliança. (Refrão)

 

LEITURA II – Filip 1, 4-6.8-11

 

«Puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo»

 

Graças à acção divina e à cooperação dada pelos cristãos de Filipos, o Evangelho difundiu-se extraordinariamente. Por isso, S. Paulo, com os mesmos sentimentos de alegria com que o profeta cele¬brava o «regresso» a Jerusalém, canta a «conversão» dos homens ao Evangelho, ao mesmo tempo que exorta os Filipenses a continuarem a trabalhar na construção da Igreja, pelo progresso na caridade e no conhecimento de Deus.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos: Em todas as minhas orações, peço sempre com alegria por todos vós, recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho, desde o primeiro dia até ao presente. Tenho plena confiança de que Aquele que começou em vós tão boa obra há-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus. Deus é testemunha de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus. Por isso Lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento, para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos de justiça que se obtêm por Jesus Cristo, para louvor e glória de Deus.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Lc 3, 4.6

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Preparai o caminho do Senhor,

endireitai as suas veredas

e toda a criatura verá a salvação de Deus. (Refrão)

 

EVANGELHO – Lc 3, 1-6

 

«Toda a criatura verá a salvação de Deus»

 

S. Lucas situando, com precisão, a pregação de João Baptista no coração da história dos homens, indica, claramente que a salvação é universal, oferecida a todos os homens, sem excepção. «Ao novo Povo de Deus todos os homens são chamados» (LG 13).

A condição essencial para a aceitação da salvação é a conversão a Deus, que envolve, como consequências a libertação do pecado.

Para que a vinda misteriosa de Cristo às nossas almas, hoje se cumpra, é necessário, pois, «preparar os caminhos do Senhor».

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

 

TODOS OS HOMENS ENCONTRARÃO O DEUS QUE SALVA

 

O Advento é tempo de conversão, tempo para preparar os caminhos do Senhor, para endireitar as veredas, a fim de que chegue o reino de Deus. O homem moderno não é muito atento ao tema da conversão a Deus. Diante dos graves desafios que se lhe impõem (fome, ignorância, guerra, injustiça), mobiliza todas as suas energias, abandona até o comodismo, impõe-se uma conversão quotidiana: a conversão do homem a si mesmo. Mas a conversão a Deus como disponibilidade radical a ele é renúncia total a si mesmo, deixa-o insensível ou até hostil, porque o coloca diante da sua fraqueza e parece desviá-lo da sua verdadeira tarefa.

O cristão de hoje está consciente do dever de contribuir para a realização do desígnio de Deus e para solução dos problemas do mundo, colaborando na obra da criação, e dando-lhe o melhor de si mesmo. Mas, em tudo isso, onde se encontra a conversão a Deus? Se os cristãos perdem o sentido da conversão a Deus, e se o cristianismo apresenta apenas o aspecto de um humanismo sem dimensão religiosa, priva-se o mundo de um dom divino.

 

Aplanai o caminho

Com João Batista, o Precursor (evangelho), Deus vai visitar o seu povo. A voz severa que clama no deserto prepara-nos para o juízo de Deus não com actos puramente exteriores e rituais, mas com a conversão do coração. Jesus continuará nesta linha de conversão; a opção pelo Reino significará despojamento de si, renúncia a toda forma de orgulho, disponibilidade às inspirações do Espírito, obediência. O homem que quiser seguir a Jesus é chamado a despojar-se de si e a perder-se de algum modo.

Semelhante conversão religiosa é acessível a todos os homens, de qualquer condição social ou espiritual; não está concretamente ligada a nenhuma prática penitencial, embora tenda a exprimir-se em acções significativas, e é proposta a todos os homens, uma vez que todos são pecadores, e Jesus mesmo declara ter vindo só para os pecadores. É uma mudança radical da mentalidade e das atitudes profundas, que se manifesta em acções novas e vida nova; é uma disponibilidade total ao serviço do amor de Deus e dos homens. Por isso Paulo pede que os filipenses possam sempre “discernir o que mais convém, ser puros no dia de Cristo” e repletos do “fruto da justiça”.

O reino de Deus está, pois, a caminho; ninguém poderá detê-lo... O juízo de Deus está sobre nós como o machado na raiz da árvore. Depende de cada um de nós fazer com que seja um juízo de conversão ou de irremediável endurecimento.

 

O contínuo “caminhar” do homem

O itinerário que cada homem deve percorrer na sua vida, como o caminho de toda a humanidade na sua história, não tem a comodidade das modernas estradas de rodagem. A contínua marcha do homem para a felicidade abre-se na precariedade e é semeada de obstáculos, interrompida por encruzilhadas sempre dilacerantes.

Entretanto, o homem não desiste dessa sua contínua peregrinação; como o povo de Israel no deserto, vagueia rumo à “sua” terra. Cristo é a encruzilhada decisiva na estrada dos homens: ou com ele ou contra ele. A de Cristo, porém, é a estrada mais árdua; passa através do sangue e da cruz, mas é a única que leva a Deus. Em Jesus, o caminho do homem e o caminho de Deus encontram-se. O convite de Cristo a cada um é sempre premente: “Vem, segue-me”. Não há outra estrada para chegar a Deus senão seguir os passos de Cristo; só assim o homem não caminha nas trevas e na incerteza.

 

O caminho do amor e da justiça

Percorrer o caminho de Cristo quer dizer encontrar-se com ele; quer dizer obstinar-se decididamente no seu caminho vencendo todos os obstáculos. O sinal visível desse encontro é a celebração eucarística. Sinal não só da nossa opção por Cristo, mas também da opção pelos homens como irmãos e companheiros de viagem. É escolher a estrada estreita do amor e da justiça, porque este foi o caminho de Cristo.

Participar humanamente da eucaristia significa tornar-se pão para os outros, como Cristo o é para nós; significa dar a vida para fazer crescer em torno de nós o amor e a justiça, o sorriso e a esperança.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Olhai benignamente, Senhor, para as nossas humildes ofertas e orações e, como diante de Vós não temos méritos, ajudai-nos com a vossa misericórdia.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Bar 5, 5; 4, 36

Levanta-te, Jerusalém, sobe às alturas e vê a alegria

que vem do teu Deus.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Saciados com o alimento espiritual, humildemente Vos pedimos, Senhor, que, pela participação neste sacramento, nos ensineis a apreciar com sabedoria os bens da terra e a amar os bens do Céu.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo