domingo, 4 de abril de 2021

DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

 

DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – ano B – 4ABR2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 139, 18.5-6

Ressuscitei e estou convosco para sempre; pusestes sobre mim a vossa mão: é admirável a vossa sabedoria.

 

ORAÇÃO COLECTA

Senhor Deus do universo, que neste dia, pelo vosso Filho Unigénito, vencedor da morte, nos abristes as portas da eternidade, concedei-nos que, celebrando a solenidade da ressurreição do Senhor, renovados pelo vosso Espírito, ressuscitemos para a luz da vida.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Act. 10, 34a, 37-43

 

Diante de pagãos, em casa do centurião Cornélio, Pedro anuncia o que já lhes havia chegado aos ouvidos: Cristo ressuscitou! E, completando aquela «boa notícia», garantindo, com o seu testemunho pessoal, a verdade dos acontecimentos daqueles dias, o Apóstolo explica-lhes o que eles querem dizer:

– Jesus de Nazaré, homem que viveu como eles e com Quem Pedro convivera, não é um simples homem. Ungido do Espírito de Deus, tem a plenitude de Deus em Si. Ele é o Messias, o Filho de Deus, como o demonstrou pelos milagres por ele mesmo presenciados e, sobretudo pelo milagre definitivo – a Ressurreição.

Pela Ressurreição, de que Pedro é testemunha, Jesus de Nazaré é o Juiz dos vivos e dos mortos, é o Salvador de todos os homens, judeus ou pagãos.

 

Leitura dos Actos dos Apóstolos

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: «Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo Demónio, porque Deus estava com Ele. Nós somos testemunhas de tudo o que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém; e eles mataram-n'O, suspendendo-O na cruz. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se¬, não a todo o povo, mas às testemunhas de antemão designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois de ter ressuscitado dos mortos. Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. É d'Ele que todos os profetas dão o seguinte testemunho: quem acredita n’Ele recebe pelo seu nome a remissão dos pecados»

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 117(118), 1-2, 16ab-17, 22-23

 

Refrão: Este é o dia que o Senhor fez:

exultemos e cantemos de alegria. (Repete-se)

 

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,

porque é eterna a sua misericórdia.

Diga a casa de Israel:

é eterna a Sua misericórdia. (Refrão)

 

A mão do Senhor fez prodígios,

a mão do Senhor foi magnífica.

Não morrerei, mas hei-de viver,

para anunciar as obras do Senhor. (Refrão)

 

A pedra que os construtores rejeitaram

tornou-se pedra angular.

Tudo isto veio do Senhor:

e é admirável aos nossos olhos. (Refrão)

 

 

LEITURA II – Col. 3, 1-4

 

Pelo seu Baptismo, o cristão morreu para o pecado e ressuscitou com Cristo para uma vida nova. Desde esse momento, recebeu a missão de, à semelhança de Cristo, conduzir os homens e todas as coisas para o Pai.

Inserido nas realidades divinas, não pode alhear-se do mundo, nem ficar indiferente aos esforços dos homens relativamente à construção dum mundo de felicidade, justiça e paz.

Inserido nas realidades da terra, não pode encerrar-se no mundo, trabalhando só para fins terrenos, esquecido do destino final do homem e do mundo.

Feito nova criatura pela Ressurreição de Cristo, o cristão viverá a vida de cada dia, sem perder de vista o fim superior, para que foi criado.

 

Leitura da Epístola do apóstolo S. Paulo aos Colossenses

Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, então também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

Palavra do Senhor

 

 

SEQUÊNCIA PASCAL

 

À Vítima pascal

Ofereçam os cristãos

sacrifícios de louvor

O Cordeiro resgatou as ovelhas:

Cristo, o Inocente,

reconciliou com o Pai os pecadores.

A morte e a vida

travaram um admirável combate:

depois de morto,

vive e reina o Autor da vida.

Diz-nos, Maria:

Que viste no caminho?

Vi o sepulcro de Cristo vivo,

e a glória do ressuscitado.

Vi as testemunhas dos Anjos,

vi o sudário e a mortalha.

Ressuscitou Cristo, minha esperança:

precederá os seus discípulos na Galileia.

Sabemos e acreditamos:

Cristo ressuscitou dos mortos:

Ó Rei vitorioso,

tende piedade de nós.

 

ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – I Cor 5, 7b-8a

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado:

celebremos a festa do Senhor. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Jo 20, 1-9

 

 

Pedro e João, juntamente com Madalena, são as primeiras testemunhas do túmulo vazio, naquela manhã de Páscoa. Não foi, porém, muito facilmente que eles chegaram à conclusão de que Jesus estava vivo. A sua fé será progressiva, caminhará entre incredulidade e dúvidas. Só perante as ligaduras e o lençol, cuidadosamente dobrados, o que excluía a hipótese de roubo, se lhes começam a abrir os olhos para a realidade.

No seu amor intuitivo, João é o primeiro a compreender os sinais da Ressurreição. Mas bem depressa Pedro, que, não por acaso mas intencionalmente, ocupa o primeiro lugar e nos aparece já nesta manhã como Chefe do Colégio Apostólico, descobre a verdade, anunciada tão claramente pela Escritura e pelo mesmo Jesus. Depois, em contacto pessoal com o Ressuscitado, a sua fé tornar-se-á firme como «rocha» inabalável.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. João

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo que Jesus amava e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

JESUS NÃO ESTÁ MORTO

 

A fé na ressurreição tem dois aspectos. O primeiro é negativo: Jesus não está morto. Ele não é falecido ilustre, ao qual se deve construir um monumento. O sepulcro vazio mostra que Jesus não ficou prisioneiro da morte. O segundo aspecto da ressurreição é positivo: Jesus está vivo, e o discípulo que o ama intui essa realidade. A vida de Jesus foi uma doação de amor total aos que lhe estavam próximos e às multidões com as quais se comunicava. Os discípulos que com ele conviveram, desde o baptismo de João até a crucificação, tiveram uma experiência mais profunda deste amor. O próprio Jesus afirmou a sua comunhão de amor e vida eterna com o Pai e revelou aos discípulos o caminho para esta comunhão. Após a crucificação, com o amadurecimento da experiência que tiveram com Jesus, estes discípulos reencontram-no “de pé” (anistémi ou egeiró, colocar-se de pé; traduzido por ressuscitar), enviando-os em missão. Entre as primeiras comunidades de discípulos circulavam duas tradições. Segundo uma delas, após a crucificação, tendo Jesus sido sepultado no penúltimo dia da semana, seu túmulo foi encontrado vazio pelas mulheres que para aí se dirigiram ao amanhecer do segundo dia que se seguiu. Era sinal de que ele se tinha “levantado” ou ressuscitado. Conforme a outra tradição, após a sua morte e sepultura, Jesus apareceu a alguns dos seus discípulos. O texto de hoje, do evangelho de João, apresenta a narrativa do encontro do túmulo vazio. Para o discípulo mais amado por Jesus, a ausência do corpo de Jesus não impediu que ele compreendesse que Jesus continuava presente entre eles. Pela experiência do amor vivido, ele creu. Pedro e os demais ainda não tinham compreendido o sentido da vida de Jesus. Seriam necessárias aparições em que Jesus “se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas designadas de antemão por Deus”. Acreditar na ressurreição é crer no dom da vida eterna por graça de Deus. Este dom é-nos concedido a partir da encarnação do Filho de Deus, na pessoa histórica de Jesus de Nazaré. Jesus, humano e divino, na sua vida terrena já vive a dimensão de eternidade, e nós, como ressuscitados, vivemos com ele. Não é no sepulcro ou no passado que se procura Jesus. É hoje, com a sensibilidade que nos faz perceber a sua presença entre os pobres e excluídos.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Exultando de alegria pascal, nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício, no qual tão admiravelmente renasce e se alimenta a vossa Igreja.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – 1 Cor 5, 7-8

Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a festa com o pão ázimo da pureza e da verdade. Aleluia.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Senhor nosso Deus, protegei sempre com paternal bondade a vossa Igreja, para que, renovada pelos mistérios pascais, mereça chegar à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor.

Na despedida, durante toda a Oitava, diz-se:

Ide em paz e o Senhor vos acompanhe. Aleluia. Aleluia.

 

R – Graças a Deus. Aleluia. Aleluia.

 

 


domingo, 28 de março de 2021

UM DE VÓS, QUE COME COMIGO, VAI TRAIR-ME

 

 


DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR – ano B – 28MAR2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA

Seis dias antes da Páscoa,

o Senhor entrou em Jerusalém

e as crianças vieram ao seu encontro,

com ramos de palmeira, cantando com alegria:

* Hossana nas alturas.

Bendito sejais, Senhor,

que vindes trazer ao mundo a misericórdia de Deus.

Levantai, ó portas, os vossos umbrais,

alteai-vos, pórticos antigos,

e entrará o Rei da glória.

Quem é esse Rei da glória?

O Senhor dos Exércitos,

é Ele o Rei da glória.

* Hossana nas alturas.

Bendito sejais, Senhor,

que vindes ao mundo trazer a misericórdia de Deus.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus eterno e omnipotente, que, para dar aos homens o exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e padecesse o suplício da cruz, fazei que sigamos os ensinamentos da sua paixão, para merecermos tomar parte na glória da sua ressurreição.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Is. 50, 4-7

 

«Não desviei o meu rosto dos que Me ultrajavam, mas sei que não ficarei desiludido»

 

Esta leitura é um dos chamados “Cânticos do Servo do Senhor”. Este Servo revela-se plenamente em Jesus, na sua Paixão: Ele escuta a palavra do Pai e responde-lhe cheio de confiança, oferecendo-Se, em obediência total, pela salvação dos homens.

 

Leitura do Livro de Isaías

O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)

 

Refrão: Meu Deus, meu Deus,

porque me abandonastes? (Repete-se)

 

Todos os que me vêem escarnecem de mim,

estendem os lábios e meneiam a cabeça:

«Confiou no Senhor, Ele que o livre,

Ele que o salve, se é seu amigo». (Refrão)

 

Matilhas de cães me rodearam,

cercou-me um bando de malfeitores.

Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,

posso contar todos os meus ossos. (Refrão)

 

Repartiram entre si as minhas vestes

e deitaram sortes sobre a minha túnica.

Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,

sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me. (Refrão)

 

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,

hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.

Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,

glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,

reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel. (Refrão)

 

 

LEITURA II – Filip 2, 6-11

 

«Humilhou-Se a Si próprio; por isso Deus O exaltou»

 

Esta leitura é também um cântico, mas agora do Novo Testamento, muito provavelmente em uso nas primitivas comunidades cristãs. Nele é celebrado o Mistério Pascal: Cristo fez-Se um de nós, obedeceu aos desígnios do Pai e humilhou-Se até à morte, e foi, por isso, exaltado até à glória de “Senhor”, que é a própria glória de Deus

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Palavra do Senhor

 

ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – Filip 2, 8-9

 

Refrão: Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória (Repete-se)

 

Cristo obedeceu até à morte

e morte de cruz.

Por isso Deus O exaltou

e Lhe deu um nome

que está acima de todos os nomes. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Mc 15, 1-39

 

«Se o grão de trigo, lançado à terra, morrer, dará muito fruto»

 

O Evangelho de São Marcos é o mais antigo, porque escrito antes dos outros, e é também o mais breve, não só na história da Paixão como em todo ele. Este evangelista aponta com bastante realismo alguns episódios fruto de especial observação de situações particulares e até pitorescas, como a que envolve o servo do sumo sacerdote aquando da prisão de Jesus.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

N Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo

segundo S. Marcos

Naquele tempo,

os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho,

logo de manhã,

com os anciãos e os escribas, isto é, todo o Sinédrio.

Depois de terem manietado Jesus,

foram entregá-l’O a Pilatos.

Pilatos perguntou-Lhe:

R «Tu és o Rei dos judeus?».

N Jesus respondeu:

J «É como dizes».

N E os príncipes dos sacerdotes

faziam muitas acusações contra Ele.

Pilatos interrogou-O de novo:

R «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam».

N Mas Jesus nada respondeu,

de modo que Pilatos estava admirado.

Pela festa da Páscoa,

Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha.

Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos,

que numa revolta tinham cometido um assassínio.

A multidão, subindo,

começou a pedir o que era costume conceder-lhes.

Pilatos respondeu:

R «Quereis que vos solte o Rei dos judeus?».

N Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes

O tinham entregado por inveja.

Entretanto, os príncipes dos sacerdotes

incitaram a multidão

a pedir que lhes soltasse antes Barrabás.

Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:

R «Então, que hei-de fazer d’Aquele

que chamais o Rei dos judeus?».

N Eles gritaram de novo:

R «Crucifica-O!».

N Pilatos insistiu:

R «Que mal fez Ele?».

N Mas eles gritaram ainda mais:

R «Crucifica-O!».

N Então Pilatos, querendo contentar a multidão,

soltou-lhes Barrabás

e, depois de ter mandado açoitar Jesus,

entregou-O para ser crucificado.

Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio,

que era o pretório,

e convocaram toda a coorte.

Revestiram-n’O com um manto de púrpura

e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos

que haviam tecido.

Depois começaram a saudá-l’O:

R «Salve, Rei dos judeus!».

N Batiam-Lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe

e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele.

Depois de O terem escarnecido,

tiraram-Lhe o manto de púrpura

e vestiram-Lhe as suas roupas.

Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem.

N Requisitaram, para Lhe levar a cruz,

um homem que passava, vindo do campo,

Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.

E levaram Jesus ao lugar do Gólgota,

quer dizer, lugar do Calvário.

Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra,

mas Ele não o quis beber.

Depois crucificaram-n’O.

E repartiram entre si as suas vestes,

tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um.

Eram nove horas da manhã quando O crucificaram.

O letreiro que indicava a causa da condenação

tinha escrito: «Rei dos Judeus».

Crucificaram com Ele dois salteadores,

um à direita e outro à esquerda.

Os que passavam insultavam-n’O

e abanavam a cabeça, dizendo:

R «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias,

salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz».

N Os príncipes dos sacerdotes e os escribas

troçavam uns com os outros, dizendo:

R «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo!

Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz,

para nós vermos e acreditarmos».

N Até os que estavam crucificados com Ele O injuriavam.

Quando chegou o meio-dia,

as trevas envolveram toda a terra

até às três horas da tarde.

E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:

J «Eloí, Eloí, lemá sabactáni?».

N Que quer dizer:

«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?».

Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:

R «Está a chamar por Elias».

N Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre

e, pondo-a na ponta duma cana,

deu-Lhe a beber e disse:

R «Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali».

N Então Jesus, soltando um grande brado, expirou.

O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo.

O centurião que estava em frente de Jesus,

ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou:

R «Na verdade, este homem era Filho de Deus».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Mc 15,1-15

 

Sob a dominação romana, o Sinédrio podia condenar à morte, mas não podia executar a sentença. Por isso, Jesus é entregue ao governador romano, sob a falsa acusação de ser subversivo político que pretende retomar o reino judaico contra a dominação romana. O processo diante de Pilatos é também uma grande farsa dominada pelos interesses de ambas as autoridades. Jesus ou Barrabás? Pilatos prefere Jesus, porque não o vê como perigo para a autoridade romana; além disso, desconhece o alcance do projecto de Jesus. As autoridades dos judeus sabem muito bem que Jesus é mais perigoso para a estrutura interna do país do que Barrabás (zelota). A multidão fica do lado das autoridades, porque depende delas e porque agora estão enfrentando a autoridade estrangeira. Pressionado, Pilatos defende o seu próprio prestígio e entrega Jesus à multidão. Barrabás torna-se uma peça no jogo de interesses entre as autoridades; Jesus não participa da farsa e é condenado. Se ele fosse solto estaria negando todo o seu projecto.

 

Mc 15,21-32

 

Jesus está completamente só. Seu corpo poderoso é reduzido à fraqueza extrema. Contudo, ele até ao fim permanece consciente da sua entrega, e recusa a bebida entorpecente. A inscrição, com o motivo da sentença, inaugura na história o tempo da realeza que não oprime, mas que dá a própria vida. As troças revelam a verdadeira identidade de Jesus: ele é o novo Templo e o Messias-Rei que não age em vista aos seus próprios interesses.

 

Mc 15,33-41

 

No ápice do abandono, as situações imediatamente se invertem. A cortina do Templo símbolo de um sistema económico-político-religioso, rasga-se: é a ruptura total entre o projecto de Jesus e a estrutura dos projectos deste mundo. A exclamação do oficial romano marca também outra ruptura: os pagãos que adoram os poderosos deste mundo começam a reconhecer que Jesus é o Filho de Deus. No momento do aparente fracasso total, o Evangelho de Marcos atinge o seu ponto culminante, desvendando definitivamente a identidade de Jesus. As mulheres que acompanharam Jesus desde a Galileia, já podem voltar, pois o serviço a Jesus vai continuar.

 

Mc 15,42-47

 

Jesus morre e seu corpo é encerrado num túmulo. Aparentemente, a história acabou e o sistema que condenou Jesus pode ficar tranquilo. Mas, as mulheres estão aí, à espera: alguma coisa vai acontecer...

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Pela paixão do vosso Filho Unigénito, apressai, Senhor, a hora da nossa reconciliação: concedei-nos, por este único e admirável sacrifício, a misericórdia que nossos pecados não merecem.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Mt 25, 42

Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-Se a tua vontade.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Saciados com estes dons sagrados, nós Vos pedimos, Senhor: assim como, pela morte do vosso Filho, nos fizestes esperar o que a nossa fé nos promete, fazei-nos também chegar, pela sua ressurreição, às alegrias do reino que esperamos.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.