domingo, 6 de junho de 2021

SATANÁS SERÁ DESTRUÍDO

DOMINGO X DO TEMPO COMUM – ano B – 06JUN2021 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 26, 1-2

O Senhor é minha luz e salvação:

a quem temerei?

O Senhor é protector da minha vida:

de quem hei-de ter medo?

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus, fonte de todo o bem,

ensinai-nos com a vossa inspiração a pensar o que é recto e ajudai-nos com a vossa providência a pô-lo em prática.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Gen 3, 9-15

«Estabelecerei inimizade entre a tua descendência e a descendência dela»

 

Perdida a amizade divina, pelo pecado, o homem e a mulher encontram-se reduzidos à sua condição de seres limitados e vêem crescer em si o orgulho e a fuga à responsabilidade.

O homem acusa a mulher. Esta desculpa-se com a serpente. Apesar disso, o Senhor promete o triunfo final do bem que há-de vencer a injustiça, o egoísmo. Jesus Cristo realizará a salvação de cada homem, e de toda a humanidade.

 

Leitura do Livro do Génesis

Depois de Adão ter comido da árvore, o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?». Ele respondeu: «Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me». Disse Deus: «Quem te deu a conhecer que estavas nu? Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?». Adão respondeu: «A mulher que me destes por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi». O Senhor Deus perguntou à mulher: «Que fizeste?». E a mulher respondeu: «A serpente enganou-me e eu comi». Disse então o Senhor Deus à serpente: «Por teres feito semelhante coisa, maldita sejas entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens. Hás-de rastejar e comer do pó da terra todos os dias da tua vida. Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Esta há-de atingir-te na cabeça e tu a atingirás no calcanhar».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 129 (130), 1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)

 

Refrão: No Senhor está a misericórdia e abundante redenção. (Repete-se)

 

Do profundo abismo chamo por Vós, Senhor,

Senhor, escutai a minha voz.

Estejam os vossos ouvidos atentos

à voz da minha súplica. (Refrão)

 

Se tiverdes em conta os nossos pecados,

Senhor, quem poderá salvar-se?

Mas em Vós está o perdão

para Vos servirmos com reverência. (Refrão)

 

Eu confio no Senhor,

a minha alma confia na sua palavra.

A minha alma espera pelo Senhor

mais do que as sentinelas pela aurora. (Refrão)

 

Porque no Senhor está a misericórdia

e com Ele abundante redenção.

Ele há-de libertar Israel

de todas as suas faltas. (Refrão)

 

LEITURA II – 2 Cor 4, 13 – 5, 1

 

«Acreditamos; por isso falamos»

 

Os sofrimentos do dia a dia não preocupam o Apóstolo S. Paulo. Nem tão pouco o atormenta a condição de ser mortal, pois deposita toda a sua esperança no Senhor que lhe concederá uma morada eterna. Por isso, nos recomenda uma atenção especial para os bens do espírito, para aquilo que não se vê, mas é duradoiro.

 

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios

Irmãos: Diz a Escritura: «Acreditei; por isso falei». Com este mesmo espírito de fé, também nós acreditamos, e por isso falamos, sabendo que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as acções de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Jo 12, 31b-32

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Chegou a hora em que vai ser expulso

o príncipe deste mundo, diz o Senhor;

e quando Eu for levantado da terra,

atrairei todos a Mim. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Mc 3, 20-35

 

«Satanás está perdido»

 

Jesus é objecto de toda a espécie de calúnias. Os escribas vão ao ponto de O acusarem de pactuar com Belzebu o príncipe dos demónios. Nem por isso Jesus deixou de levar por diante a missão que o Pai lhe confiara – a implantação do Reino de Deus entre os homens. Muitos irmãos nossos lutam hoje contra o mal: contra o racismo, as torturas, as injustiças e a privação de liberdade. E também estes são acusados de estabelecerem a anarquia entre os homens. Colocamos nós a vontade de Deus acima de tudo?

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter, pois diziam: «Está fora de Si». Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode durar. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado para sempre». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro». Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos, que, ficando fora, O mandaram chamar. A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura». Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?». E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe»

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

A VERDADEIRA MISSÃO DE JESUS

 

O Evangelho relata, com muita simplicidade, que os familiares de Jesus consideravam-no “louco”. O interesse suscitado pela pessoa do Mestre, que atraía multidões, deixava-os perturbados. É possível imaginar toda a sorte de atitudes por parte dos que o procuravam. Quem necessitava da sua ajuda e era atendido, deveria manifestar-se com exaltação, exageros, histerias, gritaria, barulho. Quem o via com suspeita, não devia poupar críticas, desprezo, maledicências. Por sua vez, os parentes não conseguiam entender o porquê de tudo isto. Nem tinham parâmetros para compreender as palavras de Jesus e captar-lhes o sentido profundo. Tampouco tinham como explicar o seu poder misterioso de fazer milagres e libertar os endemoninhados. Por isso, pareceu-lhes prudente prendê-lo em casa, de modo a evitar o espectáculo deprimente de ver aquele seu familiar falando e fazendo desatinos. Na verdade, esses parentes já não eram mais os verdadeiros familiares de Jesus, que, agora, são outros: aqueles que ele chamou para ser seus companheiros de missão. Estes, sim, pouco a pouco, foram-se tornando capazes de compreender a sabedoria escondida nos gestos e nas palavras do Mestre. Enganaram-se os que pensavam estar diante de um louco, pois ali se encontrava a mais pura sabedoria manifestada por Deus à humanidade. A acusação que os escribas fizeram a Jesus é de extrema gravidade. Na avaliação deles, o Mestre estava possuído pelo demónio. E isto é considerado como uma blasfémia contra o Espírito Santo, sem possibilidade de perdão. Porquê? Toda a acção de Jesus desenrolava-se sob o impulso do Espírito Santo. O Mestre pregava e curava pelo poder do Espírito que recebera do Pai. A expulsão dos demónios resultava do mesmo poder. Jesus realizava gestos poderosos porque o Espírito de Deus habitava nele. A blasfémia consistiu em confundir o Espírito Santo com Belzebu. Declarar Jesus possesso significava dizer ser ele habitado pelo espírito maligno e, assim, negar totalmente a obra que Deus realizava por meio de seu Filho. A incapacidade de interpretar os factos de maneira correcta resultava não só da má vontade dos escribas em relação a Jesus, mas também em relação a Deus. Por desconhecerem a pedagogia da acção divina, recusavam-se a reconhecer o dedo do Pai na acção do seu Filho. E punham-se a fazer considerações inconvenientes a respeito dele. Aos blasfemadores só restava um caminho para se tornarem objecto da misericórdia divina: reconhecer a presença de Deus na acção de Jesus, e confessar que, no Filho, a libertação divina acontecia na história da humanidade oprimida. A presença da sua mãe e dos seus familiares, num momento de intensa actividade, permitiu a Jesus explicitar um aspecto importante do Reino instaurado por ele: o ponto de contacto entre ele e quem se tornou seu discípulo. Seria uma questão de amizade pessoal, ou tudo dependeria das preferências de Jesus? Os seus parentes teriam alguma precedência em relação aos demais? Nada disso tinha importância, já que o critério seria a submissão à vontade do Pai. Portanto, o ponto de contacto estaria no nível interno, existencial. Por pautarem as suas vidas em idêntico projecto, cujo referencial era o Pai, Jesus e os seus discípulos formariam uma grande família. Este critério de familiaridade com Jesus supera toda limitação espaço temporal. Entre nós e Jesus se estabelecem estreitos laços de relacionamento, quando nos deixamos guiar pela mesma vontade divina. A identificação dar-se-á na semelhança de atitudes, uma vez que seremos levados a agir como ele. Por outro lado, o espírito de família impor-se-á entre nós, cristãos, quando nos encontrarmos unidos numa acção comum, fundada no amor e na justiça. Só então saberemos que somos irmãos e irmãs de Jesus. Este é o parentesco espiritual gerado pela opção do Reino, do qual nasce a verdadeira família de Jesus, que engloba toda a gente e suas culturas.

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Olhai com bondade, Senhor, para os dons que apresentamos ao vosso altar e fazei que esta oblação Vos seja agradável e aumente em nós a caridade.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 17, 3

Sois o meu protector e o meu refúgio, Senhor;

sois o meu libertador; meu Deus, em Vós confio.

 

Ou 1 Jo 4, 16

 

Deus é amor.

Quem permanece no amor permanece em Deus

e Deus permanece nele.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Nós Vos pedimos, Senhor, que a acção santificadora deste sacramento nos liberte das más inclinações e nos conduza a uma vida santa.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


domingo, 30 de maio de 2021

BAPTIZANDO-AS EM NOME DO PAI E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO

 

 


DOMINGO IX DO TEMPO COMUM – ano B – 30MAI2021

Festa da Santíssima Trindade

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA

Bendito seja Deus Pai,

bendito o Filho Unigénito,

bendito o Espírito Santo,

pela sua infinita misericórdia.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus Pai, que revelastes aos homens o vosso admirável mistério, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito da santidade, concedei-nos que, na profissão da verdadeira fé, reconheçamos a glória da eterna Trindade e adoremos a Unidade na sua omnipotência.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Deut 4, 32-34.39-40

«O Senhor é Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro»

 

Manifestando-Se a Moisés, Deus dá-Se a conhecer como criador, como Aquele que é o Santíssimo. Mas, ao mesmo tempo, este Deus, criador e transcendente, revela-Se como muito próximo do homem, a quem dirige a Sua palavra e por quem se interessa. Sem renunciar à Sua infinita grandeza, Ele procura, incessantemente, estabelecer relações de amizade com o homem, de tal modo que a história das relações entre Deus e a humanidade é um contínuo convite ao diálogo.

Tomar consciência deste amor de Deus, viver segundo as suas exigências é encontrar a verdadeira felicidade e aquela vida que não morre.

 

Leitura do Livro do Deuteronómio

Moisés falou ao povo, dizendo: «Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra. Dum extremo ao outro dos céus, sucedeu alguma vez coisa tão prodigiosa? Ouviu-se porventura palavra semelhante? Que povo escutou como tu a voz de Deus a falar do meio do fogo e continuou a viver? Qual foi o deus que formou para si uma nação no seio de outra nação, por meio de provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, juntamente com tremendas maravilhas, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egipto, diante dos vossos olhos? Considera hoje e medita em teu coração que o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra, e não há outro. Cumprirás as suas leis e os seus mandamentos, que hoje te prescrevo, para seres feliz, tu e os teus filhos depois de ti, e tenhas longa vida na terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre»

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 32 (33), 4-5.6.9.18.19.20.22 (R. 12b)

 

Refrão: Refrão: Feliz o povo que o Senhor

escolheu para sua herança. (Repete-se)

 

A palavra do Senhor é recta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a rectidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor. (Refrão)

 

A palavra do Senhor criou os céus,

o sopro da sua boca os adornou.

Ele disse e tudo foi feito,

Ele mandou e tudo foi criado. (Refrão)

 

Os olhos do Senhor estão voltados

para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome. (Refrão)

 

A nossa alma espera o Senhor:

Ele é o nosso amparo e protector.

Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor. (Refrão)

 

LEITURA II – Rom 8, 14-17

 

«Recebestes o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: ‘Abá, Pai’»

 

O homem nunca teria a ousadia de chamar a Deus seu Pai se Jesus o Filho de Deus feito Homem, nos não tivesse ensinado a tratá-l’O assim tão familiarmente. Foi, na verdade, Jesus que, depois de nos ter revelado a bondade de Deus, nos tornou Seus filhos, ao dar-nos o Seu Espírito, pelo Qual nos unimos, vitalmente, a Deus.

Filhos de Deus, em Jesus Cristo, herdeiros, com Ele, do mundo novo, em que Deus será tudo em todos, somos, realmente, homens livres! O temor, que caracterizava as relações entre Deus e o homem, foi substituído em nós pelo amor filial.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Vós não recebestes um espírito de escravidão para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus. Se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e herdeiros com Cristo; se sofrermos com Ele, também com Ele seremos glorificados.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

ao Deus que é, que era e que há-de vir. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Mt 28, 16-20

 

«Baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»

 

Antes de voltar para o Pai, Cristo Ressuscitado transmite à Sua Igreja, representada pelos Apóstolos, os Seus mesmos poderes tornando-a assim continuadora da Sua missão.

Enviados para todos os povos do mundo, os Apóstolos anunciarão, por toda a parte, que Jesus continua vivo e deseja que todos os homens participem da vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mediante a fé e o Baptismo. Assistidos por Jesus, presente na Sua Igreja, ao longo da história, ensinarão os homens a amar a Deus e os irmãos, mostrando-se, desse modo, discípulos de Jesus.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, os Onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS

 

Esta revelação não vem simplesmente satisfazer nossa necessidade de conhecer Deus; concerne directamente ao destino do homem e da criação. De facto, a salvação, como comunhão de amor entre Deus e o homem, reflecte as características dos dois interlocutores que a constituem: Deus e o homem. Ora, o homem só pode ser compreendido a partir de Deus: feito à imagem de Deus, é plasmado conforme o Cristo, que é a imagem perfeita de Deus. Portanto, as perguntas e respostas sobre Deus são de uma importância fundamental para compreender o homem. Concretamente, a vida humana, de um ponto de vista religioso, desenvolve-se e se expande proporcionalmente ao “conhecimento” do mistério de Deus (Jo 17,3). Se o homem é destinado à comunhão com Deus Pai, é claro que a sua vida tem tanto mais valor quanto mais ele consegue seguir o movimento de “subida aos céus” inaugurado pela ascensão de Jesus (Jo 12,32), até sentar-se à direita do Pai para vê-lo face a face. O Pe. Faber escreveu que “todo o aprofundamento da ideia sobre Deus equivale a um novo nascimento”. O mistério do amor Trinitário revela algo do mistério mais profundo do homem; por sermos como somos, criaturas capazes de conhecer, amar, gerar, só podemos exprimir-nos em termos humanos, mas chegamos com a mais profunda admiração ao último porquê: como pôde ter nascido a ideia de “conhecer”, “amar”, “gerar”? Não nasceu. Ela é. Porque Deus é amor. O mistério de Deus não é um mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, de dar e receber; e por isso, somos como somos.

 

Buscar a Deus

Em nossa vida quotidiana, às vezes sombria, às vezes trágica ou muito complicada, em que devemos cuidar de mil coisas que nos pressionam de toda parte, a luz de Deus é o amor. Devemos voltar-nos para esta luz se não nos quisermos desviar do verdadeiro fim da nossa existência. Gostaríamos de poder dizer: “Aqui está Deus; Deus é assim…”. Mas não é possível. O próprio Deus sai dos quadros e das imagens e oculta-se naqueles que precisam de nós, e diz: “Aqui estou!” Esconde-se nos pequeninos da terra e diz: “Buscai-me aqui!” Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início, novo como cada novo dia.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Santificai, Senhor, os dons sobre os quais invocamos o vosso santo nome e, por este divino sacramento, fazei de nós mesmos uma oblação eterna para vossa glória.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Gal 4, 6

Porque somos filhos de Deus,

Ele enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho,

que clama: Abba, Pai.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Ao professarmos a nossa fé na Trindade Santíssima e na sua indivisível Unidade, concedei-nos, Senhor nosso Deus, que a participação neste divino sacramento nos alcance a saúde do corpo e da alma.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


domingo, 23 de maio de 2021

A PAZ ESTEJA CONVOSCO

  

DOMINGO de PENTECOSTES – ano B – 23MAI2021

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Sab 1, 7

O Espírito do Senhor encheu a terra inteira;

Ele, que abrange o universo, conhece toda a palavra. Aleluia.

 

ORAÇÃO COLECTA

Deus do universo, que no mistério do Pentecostes santificais a Igreja dispersa entre todos os povos e nações, derramai sobre a terra os dons do Espírito Santo, de modo que também hoje se renovem nos corações dos fiéis os prodígios realizados nos primórdios da pregação do Evangelho.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Actos 2, 1-11

«Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar»

 

De harmonia com a promessa de Jesus, o Espírito Santo, manifestando a Sua presença sob os sinais sensíveis do vento e do fogo, desce sobre os Apóstolos, transforma-os totalmente e consagra-os para a missão, que Jesus lhes confiara.

Com este Baptismo no Espírito Santo, nascia assim, oficialmente, a Igreja. Nesse dia, homens separados por línguas, culturas, raças e nações, começavam a reunir-se no grande Povo de Deus num movimento que só terminará com a Vinda final de Jesus.

 

Leitura dos Actos dos Apóstolos

Quando chegou o dia de Pentecostes, os Apóstolos estavam todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente, fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se exprimissem. Residiam em Jerusalém judeus piedosos, procedentes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou muito admirada, pois cada qual os ouvia falar na sua própria língua. Atónitos e maravilhados, diziam: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia, vizinha de Cirene, colonos de Roma, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, ouvimo-los proclamar nas nossas línguas as maravilhas de Deus».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 103 (104), 1ab e 24ac.29bc-30.31.34 (R. 30)

 

Refrão: Refrão: Enviai, Senhor, o vosso Espírito

e renovai a face da terra. (Repete-se)

 

ou:

 

Mandai, Senhor o vosso Espírito,

e renovai a terra. (Repete-se)

 

ou:

 

Aleluia

 

Bendiz, ó minha alma, o Senhor.

Senhor, meu Deus, como sois grande!

Como são grandes, Senhor, as vossas obras!

A terra está cheia das vossas criaturas. (Refrão)

 

Se lhes tirais o alento, morrem

e voltam ao pó donde vieram.

Se mandais o vosso espírito, retomam a vida

e renovais a face da terra. (Refrão)

 

Glória a Deus para sempre!

Rejubile o Senhor nas suas obras.

Grato Lhe seja o meu canto

e eu terei alegria no Senhor. (Refrão)

 

LEITURA II – 1 Cor 12, 3b-7.12-13

«Todos nós fomos baptizados num só Espírito, para formarmos um só Corpo»

 

O Espírito Santo é «a alma da Igreja». É Ele que dá aos Apóstolos a perfeita compreensão do Mistério Pascal e os leva a anunciar a Ressurreição a todos os homens, sem excepção. É por Ele que nós acreditamos que Jesus é Deus e essa nossa fé se mantém. É Ele que enriquece o Corpo Místico com dons e carismas, numa grande variedade de vocações, ministérios e actividades. É Ele que, ao mesmo tempo que nos distingue, dando-nos uma personalidade própria dentro da Igreja, nos põe em comunhão uns com os outros, de tal modo que a diversidade não destrói a unidade.

 

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios

Irmãos: Ninguém pode dizer «Jesus é o Senhor» a não ser pela acção do Espírito Santo. De facto, há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum. Assim como o corpo é um só e tem muitos membros e todos os membros, apesar de numerosos, constituem um só corpo, assim também sucede com Cristo¬¬. Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.

Palavra do Senhor

 

SEQUÊNCIA

 

Vinde, ó santo Espírito,

vinde, Amor ardente,

acendei na terra

vossa luz fulgente.

 

Vinde, Pai dos pobres:

na dor e aflições,

vinde encher de gozo

nossos corações.

 

Benfeitor supremo

em todo o momento,

habitando em nós

sois o nosso alento.

 

Descanso na luta

e na paz encanto,

no calor sois brisa,

conforto no pranto.

 

Luz de santidade,

que no Céu ardeis,

abrasai as almas

dos vossos fiéis.

 

Sem a vossa força

e favor clemente,

nada há no homem

que seja inocente.

 

Lavai nossas manchas,

a aridez regai,

sarai os enfermos

e a todos salvai.

 

Abrandai durezas

para os caminhantes,

animai os tristes,

guiai os errantes.

 

Vossos sete dons

concedei à alma

do que em Vós confia:

 

Virtude na vida,

amparo na morte,

no Céu alegria.

 

ALELUIA

 

Refrão: Aleluia (Repete-se)

 

Vinde, Espírito Santo,

enchei os corações dos vossos fiéis

e acendei neles o fogo do vosso amor. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Jo 20, 19-23

 

«Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós: Recebei o Espírito Santo»

 

Com a Páscoa, inicia-se a nova Criação. E, como na primeira, também agora o Espírito Santo está presente, a insuflar aos homens, mortos pelo pecado, a vida nova do Ressuscitado. Jorrando do Corpo glorificado de Cristo, em que se mantêm as cicatrizes da Paixão, o Sopro purificador e recriador do mesmo Deus, comunica-se aos Apóstolos. Apodera-se deles, a fim de que possam prolongar a obra da nova Criação, e assim a humanidade, reconciliada com Deus, conserve sempre a paz alcançada em Jesus Cristo.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

A PAZ ESTEJA COM VOCÊS

 

O medo impede o anúncio e o testemunho. Jesus liberta do medo, mostrando que o amor doado até à morte é sinal de vitória e alegria. Depois, convoca os seus seguidores para a missão no meio do mundo, infunde neles o Espírito da vida nova e mostra-lhes o objectivo da missão: continuar a actividade dele, provocando o julgamento. De facto, a aceitação ou recusa do amor de Deus, trazido por Jesus, é o critério de discernimento que leva o homem a tomar consciência da sentença que cada um atrai para si próprio: sentença de libertação ou de condenação. João delimita bem o primeiro dia da ressurreição. A narrativa começa com a ida de Maria Madalena, “no primeiro dia da semana... de madrugada... quando ainda estava escuro...”. Agora, “ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana”, Jesus manifesta-se aos discípulos reunidos. É um dia completo, que começa com a insegurança do túmulo vazio e termina, em plenitude, com a presença de Jesus ressuscitado, com a sua paz e o dom do Espírito Santo. Com este dia inaugura-se a plenitude dos tempos. Nesta narrativa de João, o dom do Espírito Santo dá-se com o sopro de Jesus sobre os discípulos. A palavra “espírito” tem origem no Antigo Testamento, com o significado do “sopro vital”. É por esse “sopro vital” de Deus que surge a criação na narrativa do Génesis. Nesse momento, Jesus comunica o seu sopro vital, divino e santo, o seu Espírito, aos discípulos. Lucas não o menciona na passagem paralela a esta, no seu evangelho. Ele opta por dar, nos Actos dos Apóstolos, um grande destaque a tal comunicação do Espírito Santo, com uma impressiva narrativa, como acontecimento que ocorre na festa judaica de Pentecostes (primeira leitura). E é este Espírito que anima as novas comunidades em sua pluralidade de dons, porém formando um só corpo no seguimento e união com Jesus (segunda leitura). A ressurreição, com as aparições sucessivas, é confirmação de uma realidade que a antecede. É a comprovação da condição humana e divina de Jesus de Nazaré. Toda a sua vida foi dom de amor a todos que conviveram com ele, em particular os discípulos ao longo dos três anos de seu ministério. Agora, os discípulos percebem-no claramente. Jesus de Nazaré, filho de Maria, filho de Deus, é portador e comunicador da vida divina e eterna. Em continuidade, Jesus envia os discípulos. É o envio universal em missão. Os discípulos são enviados assim como Jesus o foi pelo Pai. A missão de Jesus foi comunicar o amor do Pai ao mundo. A seguir, soprando sobre os discípulos, Jesus comunica-lhes o Espírito Santo, o qual, além de ser o portador da Paz, conduzirá os discípulos na missão de divulgar ao mundo o amor vivificante de Deus. Assim como Jesus não veio ao mundo para condená-lo, não cabe à comunidade a condenação. É à palavra anunciada que cabe o julgamento. Porém, à missão cabe o anúncio da prática da justiça, a qual tira o pecado do mundo e instaura o amor.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Concedei-nos, Senhor nosso Deus, que o Espírito Santo, segundo a promessa do vosso Filho, nos revele plenamente o mistério deste sacrifício e nos faça conhecer toda a verdade.

Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Actos 2, 4.11

Todos ficaram cheios do Espírito Santo

e proclamavam as maravilhas de Deus. Aleluia.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Senhor nosso Deus, que concedeis com abundância à vossa Igreja os dons sagrados, conservai nela a graça que lhe destes, para que floresça sempre em nós o dom do Espírito Santo, e o alimento espiritual que recebemos nos faça progredir no caminho da salvação.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.