sábado, 1 de setembro de 2018

A LEI ESCLEROSADA





DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM – ano B – 2SET2018



CONSERVAR OU MUDAR?

Desde o início de sua vida pública, Jesus afirma a sua independência frente às tradições judaicas do seu tempo. Isto torna-se mesmo um dos pontos de atrito e de contraste entre ele e o judaísmo farisaico. Se, de um lado, Jesus afirma que a Lei e os profetas não devem ser abolidos, mas cumpridos (Mt 5,17), por outro, trava luta cerrada contra certas “tradições dos antigos”, resultado de preocupação meramente humana e que ameaçam anular a Lei.

A lei esclerosada
Por causa desta polémica de Jesus contra o farisaísmo mesquinho, terminou-se por dar a este termo, originariamente sinónimo de piedade e perfeição, o significado de hipocrisia, observância exterior sem convicções. No entanto, é uma injustiça para com as pessoas que nas suas intenções e na sua origem eram sinceras.
Cristo tem amigos entre os fariseus. Paulo, mesmo, é um deles. Severos cumpridores das observâncias numa época de grande influência pagã, tinham sido eles os salvadores da alma do povo. Para preservar essa alma, os fariseus haviam atenuado extraordinariamente as expectativas e esperanças messiânicas, consideradas politicamente perigosas; acentuaram, pelo contrário, as práticas cultuais, dando-lhes a precedência sobre os deveres da fraternidade humana e da justiça social.
O apego à Lei, que deu grande destaque ao judaísmo, e que, em mais de um caso, foi motivo da salvação de Israel, comportava, porém, graves perigos. Ao colocar no mesmo plano todos os preceitos, religiosos e morais, civis e cultuais, entregando-os às subtilezas casuísticas, o culto da Lei terminava por impor um jugo impossível de carregar (Mt 23,4; At 15,10). De sinal de aliança e liberdade, a lei tornava-se cadeia de escravidão. Um segundo perigo, ainda mais grave e radical era o de basear a “justiça do homem” perante Deus não na graça e na iniciativa divina, mas na obediência aos mandamentos e na prática das boas obras, como se o homem fosse capaz de se salvar sozinho.

Uma tentação que renasce
O farisaísmo e o formalismo não são atitudes concernentes só ao passado, mas tentações que renascem continuamente, até entre as pessoas e as instituições que começam com as mais puras e rectas intenções.
Uma maneira de pensar farisaica tentou bloquear o dinamismo missionário da Igreja primitiva. Foi necessária a rude energia de Paulo e a convocação do primeiro concílio de Jerusalém, para que a comunidade primitiva pudesse libertar-se das normas que os judaizantes queriam impor.
Ainda hoje pode haver, no seio da Igreja, uma maneira de agir farisaica: pode-se exagerar e absolutizar a legalidade, o preceito, a exterioridade; pode-se também hoje viver um cristianismo legalista, exterior, superficial, mais preocupado em obedecer passivamente às normas recebidas do que em dar uma resposta pessoal e responsável aos chamados de Deus e aos apelos dos irmãos. Corremos o risco de ser fariseus também quando não distinguimos o essencial do evento cristão nos anais das diversas formas históricas e culturais em que ele se manifesta, encerrando nas nossas categorias humanas a inapreensível acção do Espírito, procurando manter sob o jugo da Lei os que dela foram libertados pela morte de Cristo.

Tensão libertadora dos jovens
Os jovens são um elemento activo dessa dinâmica de transformação de estruturas e tradições inadequadas. Os jovens percebem em geral, consciente e naturalmente, a possibilidade de abdicação do passado e de abertura para um futuro mais humano; isto é uma profecia para uma sociedade farta e satisfeita consigo mesma; sua crítica construtiva tem por função libertar continuamente de um modo esclerosado de viver os valores, para aderir em profundidade a eles, sem nunca absolutizar o que passa. Eles possuem também fantasia e utopia suficientes para acelerar bastante as mudanças, ou a revisão de usos, costumes e relações de dependência, de modos de conduzir a comunidade. A força dos jovens impele uma comunidade para o futuro.


MISSA

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 85, 3.5
Tende compaixão de mim, Senhor,
que a Vós clamo o dia inteiro.
Vós, Senhor, sois bom e indulgente,
cheio de misericórdia para aqueles que Vos invocam.

ORAÇÃO COLECTA
Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Liturgia da Palavra


LEITURA I – Deut 4, 1-2.6-8

«Não acrescentareis nada ao que vos ordeno... mas guardareis os mandamentos do Senhor»

Já à vista da Terra Prometida, Moisés recorda ao Povo de Israel a conveniência em observar a Lei de Deus, a sua perfeição e superioridade em comparação com as leis dos outros povos. A lei de Deus é a única luz que ensina aos homens o caminho da vida autêntica e verdadeiramente feliz. Mas essa lei procura antes de mais educar o coração do homem.

Leitura do Livro do Deuteronómio
Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo. Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?».
Palavra do Senhor

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)
Refrão: Quem habitará, Senhor, no vosso santuário? (Repete-se).

O que vive sem mancha e pratica a justiça
e diz a verdade que tem no seu coração
e guarda a sua língua da calúnia. (Refrão)

O que não faz mal ao seu próximo,
nem ultraja o seu semelhante;
o que tem por desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o Senhor. (Refrão)

O que não falta ao juramento,
mesmo em seu prejuízo,
e não empresta dinheiro com usura,
nem aceita presentes para condenar o inocente.
Quem assim proceder jamais será abalado. (Refrão)


LEITURA II – Tg 1, 17-18.21b-22.27

«Sede cumpridores da palavra»

Começamos hoje a ler, e leremos ainda durante mais alguns domingos, a Epístola de S. Tiago. A passagem que hoje escutamos diz-nos que tudo o que há de bom vem de Deus, e Deus tudo criou pela sua palavra. Esta palavra continua a fazer ouvir-se no mundo e como que lançou em nós as suas raízes. Por isso, a nossa vida cristã consistirá em fazer que essa palavra desabroche em nós, dando muito fruto.

Leitura da Epístola de São Tiago
Caríssimos irmãos: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança. Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade, para sermos como primícias das suas criaturas. Acolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas. Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.
Palavra do Senhor


ALELUIA – Tg 1, 18

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

Deus Pai nos gerou pela palavra da verdade,
para sermos como primícias das suas criaturas. (Refrão)


EVANGELHO – Mc 7, 1-8.14-15.21-23

«Deixais o mandamento de Deus para vos prenderdes à tradição dos homens»

A palavra de Deus pode vir a ser adulterada pelas palavras dos homens, mesmo quando pretendem explicar e aplicar a palavra de Deus. O Senhor adverte-nos para que saibamos ler a palavra de Deus à luz do Espírito de Deus, que a inspirou, e não com a visão estreita e acanhada, e, por vezes, interesseira, do nosso espírito, demasiado humano e limitado. A palavra de Deus é espírito e vida, e não apenas letra, que, por si só, pode matar.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos
Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».
Palavra da Salvação

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Santificai, Senhor, a oferta que Vos apresentamos
e realizai em nós, com o poder da vossa graça,
a redenção que celebramos nestes mistérios.
Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 30, 20
Como é grande, Senhor,
a vossa bondade para aqueles que Vos servem!

Ou – Mt 5, 9-10
Bem-aventurados os pacíficos,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os perseguidos por amor da justiça,
porque deles é o reino dos céus.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Senhor, que nos alimentastes com o pão da mesa celeste, fazei que esta fonte de caridade fortaleça os nossos corações e nos leve a servir-Vos nos nossos irmãos.
Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



sábado, 25 de agosto de 2018

Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna





DOMINGO XXI DO TEMPO COMUM – ano B – 26AGO2018



SENHOR, A QUEM IREMOS?

As palavras de Jesus provocam resistência e desistência até entre os discípulos. Muitos conservam a ideia de um Messias Rei, e não querem seguir Jesus até à morte, entendida por eles como fracasso. E não assumem a fé por medo de se comprometerem. Os doze apóstolos, porém, aceitam a proposta de Jesus e reconhecem-no como Messias, dando-lhe a sua adesão e aceitando as suas exigências. Muitos discípulos de Jesus tiveram enorme dificuldade em captar o verdadeiro significado das suas palavras. Ao interpretá-las num sentido contrário, ficavam perplexos e consideravam disparatados os ensinamentos do Mestre. Escandalizavam-se com isto! Apesar das reacções negativas dos seus ouvintes, Jesus não diminuía o tom da sua pregação, que continuava a ser contundente. Sendo assim, requeria largueza de visão para ser compreendida. Os discípulos dependiam da compreensão correcta dos ensinamentos do Mestre e da sua adesão. Por outro lado, nenhum discípulo podia agir por coacção, independentemente da sua vontade. Os discípulos deveriam emergir de uma escolha livre. Não interessava a Jesus que os seus discípulos permanecessem com ele apenas para agradá-lo. Foi por esta razão que muitos debandaram. Não tinham fibra para pôr em prática o que lhes era ensinado. Com o Mestre permaneceu somente um punhado de discípulos fiéis que foram questionados a respeito da sinceridade da sua adesão. Foi quando Pedro, em nome do grupo, fez uma confissão de fidelidade ao Mestre. Não valia a pena afastar-se, pois só junto dele podiam encontrar palavras de vida eterna, por saírem da boca do “Santo de Deus”. Seria inútil buscar salvação fora dele. Antes, foram os judeus que estranharam as palavras de Jesus. Nesta narrativa, são os discípulos que se manifestam: “Estas palavras são duras”. No prólogo do evangelho, temos o anúncio de que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Agora Jesus faz a transferência da “carne” para as suas palavras, que são o Espírito e a vida. A encarnação é grandiosa na revelação da carne unida perfeitamente ao Espírito de Deus, em Jesus. E é o Espírito que dá a vida que vem do Pai e leva ao Pai. O tema da incompreensão entre Jesus e os discípulos é uma constante nos evangelhos. Então, alguns abandonam-no. Porém, Pedro, em nome dos demais, confirma a sua fé e perseverança. Ir a Jesus e encontrar nele as palavras de vida eterna. Este diálogo de Jesus com os seus discípulos e com Pedro conclui o longo discurso de Jesus que tem como tema o pão da vida eterna. A alusão a “o espírito é que vivifica, a carne para nada serve...” destoa com o “quem come a minha carne... tem a vida eterna”, e sugere que seja mais um acréscimo ao texto original de João. A revelação de Jesus como o pão descido do céu dado como alimento para a vida do mundo provocou incompreensão e murmúrios entre os judeus (6,41.52). Muitos dos seus discípulos também, sem entender, abandonaram Jesus. O tema da incompreensão de Jesus por parte dos discípulos perpassa todos os evangelhos. Contrastando com aqueles que abandonaram Jesus, temos a expressiva confissão de fé de Pedro, que se torna uma oração para nós: “A quem iremos, Senhor: Tu tens palavras de vida eterna...”


MISSA

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 85, 1-3
Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor,
salvai o vosso servo, que em vós confia.
Tende compaixão de mim, Senhor,
que a Vós clamo o dia inteiro.

ORAÇÃO COLECTA
Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Liturgia da Palavra


LEITURA I – Jos 24, 1-2a.15-17.18b

«Queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus»

Depois de entrar na Terra Prometida e antes da solene renovação da Aliança em Siquém, o povo de Deus, composto de gente vinda de várias tribos e que encontra a Terra Prometida cheia de cultos aos deuses dos pagãos, é convidado a fazer uma solene profissão de fé no Senhor, o único Deus capaz de salvar, tal como Pedro irá fazer, na terceira leitura, depois do discurso de Jesus sobre o Pão da vida.

Leitura do Livro de Josué
Naqueles dias, Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém. Convocou os anciãos de Israel, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. Josué disse então a todo o povo: «Se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio, se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha família serviremos o Senhor». Mas o povo respondeu: «Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses; porque o Senhor é o nosso Deus, que nos fez sair, a nós e a nossos pais, da terra do Egipto, da casa da escravidão. Foi Ele que, diante dos nossos olhos, realizou tão grandes prodígios e nos protegeu durante o caminho que percorremos entre os povos por onde passámos. Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus».
Palavra do Senhor

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34), 2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R. 9a)
Refrão: Saboreai e vede como o Senhor é bom. (Repete-se).

A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes. (Refrão)

Os olhos do Senhor estão voltados para os justos
e os ouvidos atentos aos seus rogos.
A face do Senhor volta-se contra os que fazem o mal,
para apagar da terra a sua memória. (Refrão)

Os justos clamaram e o Senhor os ouviu,
livrou-os de todas as suas angústias.
O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado
e salva os de ânimo abatido. (Refrão)

Muitas são as tribulações do justo,
mas de todas elas o livra o Senhor.
Guarda todos os seus ossos,
nem um só será quebrado. (Refrão)

A maldade leva o ímpio à morte,
os inimigos do justo serão castigados.
O Senhor defende a vida dos seus servos,
não serão castigados os que n’Ele se refugiam. (Refrão)


LEITURA II – Ef 5, 21-32

« É grande este mistério, em relação a Cristo e à Igreja»

O matrimónio cristão não modifica os quadros humanos em que ele é celebrado, mas reveste-os de uma significação nova. Nesta passagem, a união do homem e da mulher no matrimónio é apresentada como imagem do mistério da união de Cristo e da Igreja: Cristo amou a Igreja, deu a vida por ela, purificou-a no seu Sangue. Assim, neste amor de Cristo pelo seu povo terão também os esposos o modelo do amor com que hão-de amar-se um ao outro e constituir a sua família.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
Irmãos: Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. Ele quis santificá-la, purificando-a no baptismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de glória, sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. Assim devem os maridos amar as suas mulheres, como os seus corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Ninguém, de facto, odiou jamais o seu corpo, antes o alimenta e lhe presta cuidados, como Cristo à Igreja; porque nós somos membros do seu Corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne. É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja.
Palavra do Senhor


ALELUIA – Jo 6, 63c.68c

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

As vossas palavras, Senhor, são espírito e vida:
Vós tendes palavras de vida eterna. (Refrão)


EVANGELHO – Jo 6, 60-69

«Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna»

O discurso de Jesus sobre o Pão da Vida desiludiu muitos discípulos, que, por isso, se afastaram. Jesus tenta explicar o sentido espiritual das suas palavras, que, sem deixarem de dizer o que querem dizer, vão mais além do que aquilo que à primeira vista parecem dizer. Essas palavras são espírito e vida. São palavras que levam à fé. E é esta fé que S. Pedro acaba por professar. Assim, o discurso sobre o Pão da vida termina, como sempre as narrações de S. João, com um solene acto de fé.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, muitos discípulos, ao ouvirem Jesus, disseram: «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?». Jesus, conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso, perguntou-lhes: «Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. Mas, entre vós, há alguns que não acreditam». Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. E acrescentou: «Por isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai». A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele. Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?». Respondeu-Lhe Simão Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».
Palavra da Salvação

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz.
Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 103, 13-15
Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras.
Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra
o coração do homem.

Ou – Jo 6, 55
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
tem a vida eterna, diz o Senhor,
e Eu o ressuscitarei no último dia.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Realizai plenamente em nós, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos agradar-Vos em toda a nossa vida.
Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



sábado, 18 de agosto de 2018

A MINHA CARNE É VERDADEIRA COMIDA E O MEU SANGUE É VERDADEIRA BEBIDA






Domingo XX do Tempo Comum – ano B – 19AGO2018



A PLENITUDE DE VIDA DO HOMEM

No capítulo 6 de João é possível distinguir uma dupla perspectiva: a dos ouvintes directos de Jesus, para os quais o discurso fala sobretudo da fé e do acolhimento de Jesus, verdadeiro pão do céu, e a dos contemporâneos do evangelista, para quem o discurso de Jesus tem um evidente significado eucarístico. João escreve depois de ter vivido a primeira experiência das comunidades cristãs; depois, portanto, que já se estabelecera entre os primeiros fiéis o hábito de se reunirem para celebrar a ceia eucarística. A sua perspectiva já é, pois, reflexo de uma prática sacramental em uso; é claro então que as palavras e os acontecimentos da vida de Jesus são lidos com uma plenitude e riqueza de perspectivas que não eram possíveis no dia em que os apóstolos ouviram falar pela primeira vez de pão da vida.
O versículo 35: “Eu sou o pão da vida” faz-nos pensar imediatamente na eucaristia. Além disso “o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo”, com a sua profunda semelhança com Lc 22,19 (“isto é o meu corpo que é dado por vós”) tem toda a aparência de ser a forma da instituição eucarística própria de João. No relato de João, a fé em Jesus está sempre em primeiro plano, mas ela é agora vista em relação com os sinais através dos quais se torna visível. Fé e sacramentos da fé são, de agora em diante, inseparáveis. A fé exige o sacramento e o sacramento é incompreensível independentemente da fé.
No centro está o tema da “vida”, isto é, o tema da realização plena do homem. Cristo veio realizar esta vida: é a própria vida do seu Pai, vida plena do Pai, vida eterna, sem fim. O homem procura-a, mas não consegue encontrá-la, só a encontra “provisoriamente”, e só sacia a sua fome por momentos. Só Cristo pode saciar “totalmente”, porque “este é o pão que desceu do céu”. Quem dele come não morre.

Um pão que é carne
O pão eucarístico segue as leis do pão doméstico, oferecido pelo pai de família aos seus. O pão adquire sentido porque alguém o fabricou, alguém o comprou, alguém o comerá. Os pais ganham o pão, o alimento, a roupa, com o próprio trabalho. Eles são pão de vida para os seus filhos, não só porque lhes deram a vida, mas porque, de certo modo, os filhos continuamente “alimentam-se” dos pais. Dando o pão, fruto de seu trabalho, o pai e a mãe podem, de certo modo, dizer: “Este pão é a minha carne dada pelos meus filhos”, enquanto os comensais que participam deste pão, participam, de certa maneira, da própria vida de quem lho dá.
Se pais e filhos podem dar ao pão um significado tão profundo, porque Jesus não poderia dar ao pão um significado e uma realidade totalmente nova, proporcional à profundidade de todo o seu ser e, dele, fazer, assim, a participação da sua vida com o Pai e o sinal eficaz da sua íntima presença e comunhão com os que nele crêem?
A experiência serena da refeição familiar e a descoberta dos profundos significados humanos ocultos nas expressões e nos gestos quotidianos que a família faz, quando se senta à mesa, são o caminho mais simples, e catequeticamente mais válido, para introduzir uma compreensão rica e autêntica da eucaristia.
“No ápice desta acção educativa está a preocupação de dispor os fiéis a fazer do mistério eucarístico a fonte e o cume de toda a vida cristã. Todo o bem espiritual da Igreja está encerrado na eucaristia, onde Cristo, nossa Páscoa, está presente e dá vida aos homens, convidando-os e induzindo-os a oferecerem-se com ele e em sua memória, para a salvação do mundo”.


MISSA

ANTÍFONA DE ENTRADA – Salmo 83, 10-11
Senhor Deus, nosso protector,
ponde os olhos no rosto do vosso Ungido.
Um dia em vossos átrios vale mais de mil longe de Vós.

ORAÇÃO COLECTA
Deus de bondade infinita,
que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Liturgia da Palavra


LEITURA I – Prov 9, 1-6

«Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei»

Personificada numa dona de casa, a Sabedoria de Deus convida os homens a participarem do seu banquete. No Antigo Testamento, a Palavra de Deus é frequentemente comparada a um banquete oferecido aos homens. O pão e o vinho são tidos como símbolo do alimento que dá a vida em plenitude. A imagem do banquete assume maior expressão na Eucaristia que nos é dado celebrar.

Leitura do Primeiro Livro dos Provérbios
A Sabedoria edificou a sua casa e levantou sete colunas. Abateu os seus animais, preparou o vinho e pôs a mesa. Enviou as suas servas a proclamar nos pontos mais altos da cidade: «Quem é inexperiente venha por aqui». E aos insensatos ela diz: «Vinde comer do meu pão e beber do vinho que vos preparei. Deixai a insensatez e vivereis; segui o caminho da prudência».
Palavra do Senhor

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 33 (34), 2-3.10-11.12-13.14-15 (R.9a)
Refrão: Saboreai e vede como o Senhor é bom. (Repete-se).

A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes. (Refrão)

Temei o Senhor, vós os seus fiéis,
porque nada falta aos que O temem.
Os poderosos empobrecem e passam fome,
aos que procuram o Senhor
não faltará riqueza alguma. (Refrão)

Vinde, filhos, escutai-me,
vou ensinar-vos o temor do Senhor.
Qual é o homem que ama a vida,
que deseja longos dias de felicidade? (Refrão)

Guarda do mal a tua língua
e da mentira os teus lábios.
Evita o mal e faz o bem,
procura a paz e segue os seus passos. (Refrão)

LEITURA II – Ef 5, 15-20

«Procurai compreender qual é a vontade de Deus»

Deus criou o homem livre e não quer sobrepor-se a essa liberdade. Deixa a cada um a possibilidade de fazer as suas opções. Porém, uma escolha consciente só é possível, tendo presente determinada hierarquia de valores que ajudará a decidir, não apenas acerca do acto, como também do tempo próprio para o realizar.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios
Irmãos: Vede bem como procedeis. Não vivais como insensatos, mas como pessoas inteligentes. Aproveitai bem o tempo, porque os dias que correm são maus. Por isso não sejais irreflectidos, mas procurai compreender qual é a vontade do Senhor. Não vos embriagueis com o vinho, que é causa de luxúria, mas enchei-vos do Espírito Santo, recitando entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando em vossos corações, dando graças, por tudo e em todo o tempo, a Deus Pai, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Palavra do Senhor


ALELUIA – Jo 6, 56

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue
permanece em mim e Eu nele, diz o Senhor. (Refrão)


EVANGELHO – Jo 6, 51-58

«A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida»

A ceia pascal judaica estava intimamente ligada à libertação dos hebreus da escravatura egípcia. Ao comerem a Páscoa, os judeus tinham consciência de serem o povo libertado por Deus. Cristo associa também os discípulos à Sua morte redentora. Os participantes na celebração eucarística, ao comerem o pão e beberem o sangue derramado na cruz pela multidão dos homens, reconhecem-se no povo redimido por Cristo.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?». E Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente».
Palavra da Salvação

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Aceitai, Senhor, o que trazemos ao vosso altar, nesta admirável permuta de dons, de modo que, oferecendo-Vos o que nos destes, mereçamos receber-Vos a Vós mesmo.
Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 129, 7
No Senhor está a misericórdia,
no Senhor está a plenitude da redenção.

Ou – 6, 51-52
Eu sou o pão vivo descido do Céu, diz o Senhor.
Quem comer deste pão viverá eternamente.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Senhor, que neste sacramento nos fizestes participar mais intimamente no mistério de Cristo, transformai-nos à sua imagem na terra para merecermos ser associados à sua glória no Céu.
Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.



terça-feira, 14 de agosto de 2018

15 de Agosto






A assunção de Maria ao Céu

Quando o Papa o decretou, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, foi uma verdadeira apoteose, tanto na Praça de São Pedro, em Roma, como nas outras cidades do mundo católico.
Nesse documento, disse o Papa: “Cristo, com a Sua morte, venceu o pecado e a morte e sobre esta e sobre aquele alcançará também vitória pelos merecimentos de Cristo quem for regenerado sobrenaturalmente pelo baptismo. Mas, por lei natural Deus não quer conceder aos justos o completo efeito dessa vitória sobre a morte, senão quando chegar o fim dos tempos. Por isso, os corpos dos justos se dissolvem depois da morte, e somente no último dia tornarão a unir-se, cada um com a sua própria alma gloriosa. Todavia, desta lei geral Deus quis exceptuar a Bem-Aventurada Virgem Maria. Ela, por um privilégio todo singular, venceu o pecado; pela sua Imaculada Conceição, não estando por isso sujeita à lei natural de ficar na corrupção do sepulcro, não foi preciso que esperasse até o fim do mundo para obter a ressurreição do corpo”.
Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus, resume a importância desse dogma numa expressão cheia de densidade: “A solenidade de 15 de Agosto celebra a gloriosa Assunção de Maria ao Céu, festa do seu destino de plenitude e de bem-aventurança, glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal, de sua perfeita configuração com Cristo ressuscitado” (MC n.6).
Assim, Maria participa da ressurreição e glorificação de Cristo. É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao Céu de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, pelo contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado. É uma grande glória dela.


MISSA

ANTÍFONA DE ENTRADA – Ap 12, 1
Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.

ORAÇÃO COLECTA
Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Liturgia da Palavra


LEITURA I – Ap 11, 19a; 12, 1-6a.10ab

«Uma mulher revestida de sol e com a lua debaixo dos pés»

Leitura do Apocalipse de São João
O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».
Palavra do Senhor

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)
Refrão: À vossa direita, Senhor, está a Rainha do Céu. (Repete-se).

Ao vosso encontro vêm filhas de reis,
à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.
Ouve, minha filha, vê e presta atenção,
esquece o teu povo e a casa de teu pai. (Refrão)

Da tua beleza se enamora o Rei;
Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.
Cheias de entusiasmo e alegria,
entram no palácio do Rei. (Refrão)

LEITURA II – 1 Cor 15, 20-27

«Primeiro, Cristo, como primícias; depois os que pertencem a Cristo»

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos: Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.
Palavra do Senhor


ALELUIA

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

Maria foi elevada ao Céu:
alegra-se a multidão dos Anjos. (Refrão)


EVANGELHO – Lc 1, 39-56


«O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: exaltou os humildes»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».
Maria disse então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada
todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.
Palavra da Salvação

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS
Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós.
Por Nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Lc 1, 48-49
Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada,
porque o Senhor fez em mim maravilhas.


ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição.