domingo, 3 de janeiro de 2021

Viemos do Oriente adorar o Rei

DOMINGO DA EPIFANIA DO SENHOR – ano B – 03JAN2021

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Mal 3, 1; 1 Cron 19, 12

Eis que vem o Senhor soberano.

A realeza, o poder e o império estão nas suas mãos.

 

ORAÇÃO COLECTA

Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé levai-nos a contemplar face a face a vossa glória.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Is 60, 1-6.

 

«Brilha sobre ti a glória do Senhor»

 

Como uma cidade, construída sobre um monte, atrai o olhar de todos, ao ser iluminada pelo sol nascente, assim Jerusalém, iluminada pelo Nascimento de Jesus, atrai a si todos os povos, mergulhados na noite do pecado.

Será, porém, na Igreja, nova Jerusalém, que Deus reunirá todos os homens, para lhes dar a salvação. Será n’Ela que se constituirá, definitivamente, a comunidade dos povos. «A luz dos povos é Cristo – Mas a Sua luz resplandece no rosto da Sua Igreja» (LG. n.º 1). Ela é, na verdade, o sinal e o instrumento de união com Deus e de unidade de todo o género humano.

 

Leitura do Livro de Isaías

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas, sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá. Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)

 

Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra. (Repete-se)

 

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar

e a vossa justiça ao filho do rei.

Ele governará o vosso povo com justiça

e os vossos pobres com equidade. (Refrão)

 

Florescerá a justiça nos seus dias

e uma grande paz até ao fim dos tempos.

Ele dominará de um ao outro mar,

do grande rio até aos confins da terra. (Refrão)

 

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,

os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.

Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,

todos os povos o hão-de servir. (Refrão)

 

Socorrerá o pobre que pede auxílio

e o miserável que não tem amparo.

Terá compaixão dos fracos e dos pobres

e defenderá a vida dos oprimidos. (Refrão)

 

 

LEITURA II – Ef 3, 2-3a.5-6

 

«Os gentios recebem a mesma herança prometida»

 

O universalismo de Isaías era um pouco limitado; os estrangeiros não estavam em posição de igualdade com os filhos de Israel. S. Paulo, descrevendo o plano salvífico de Deus, proclama que todos os homens são chamados, igualmente, a ser herdeiros da Promessa.

Como consequência deste chamamento universal para a Fé, toda a separação, toda a discriminação, introduzidas na humanidade por culturas e civilizações, desaparecem. Todos são chamados a formar o verdadeiro Israel e a constituir um só Corpo – o Corpo Místico de Cristo – restabelecendo-se assim o plano primitivo de Deus acerca da humanidade, que era um projecto de unidade e amor.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos: Certamente já ouvistes falar da graça que Deus me confiou a vosso favor: por uma revelação, foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. Nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens como agora foi revelado pelo Espírito Santo aos seus santos apóstolos e profetas: os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Mt 2, 2

 

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos adorar o Senhor (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Mt 2, 1-12

 

«Viemos do Oriente adorar o Rei»

 

Frente ao mistério do Nascimento de Jesus, S. Mateus procura, sobretudo, contemplá-Lo à Luz do primeiro encontro do mundo pagão com o Salvador, de que os magos são as primícias e os representantes. Sublinhando, de modo expressivo, a universalidade da Mensagem cristã, dirigida a todos os homens, mesmo àqueles que, segundo as concepções estreitas do Judaísmo, viviam fora da Geografia e da História da Salvação, o evangelista mostra como na visita dos Magos, se realizam as profecias do A. T.

Não deixa também de o impressionar, em contraste com o orgulho e cegueira de Herodes e dos sábios de Israel, a boa vontade dos Magos, que, atentos aos sinais dos Tempos, se dispõem a correr a aventura da Fé.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

JESUS, PERIGO OU SALVAÇÃO?

 

Com a festa da Epifania, a Igreja celebra a manifestação de Jesus ao mundo. Jesus é o Rei Salvador prometido pelas Escrituras. A sua vinda, porém, desperta reacções diferentes. Aqueles que conhecem as Escrituras, em vez de se alegrarem com a realização das promessas, ficam alarmados, vendo em Jesus uma séria ameaça para o seu próprio modo de viver. Outros, apenas guiados por um sinal, procuram Jesus e acolhem-no como Rei Salvador. Não basta saber quem é o Messias; é preciso seguir os sinais da história que nos encaminham para reconhecê-lo e aceitá-lo. A cena mostra o destino de Jesus: rejeitado e morto pelas autoridades do seu próprio povo, é aceite pelos pagãos. Nas narrativas da infância de Jesus, em Mateus, Jesus recém-nascido já aparece ao mundo representado pelos magos do Oriente. No Evangelho de Lucas (2,8-20), quem vai adorar o recém-nascido são os humildes pastores. A narrativa de Mateus, com a adoração dos magos, é feita no estilo do "midraxe" judaico. É uma reconstrução literária de episódios bíblicos antigos, retratados de acordo com o tempo do narrador. Mateus narra a visita dos magos no sentido de associar o nascimento de Jesus a uma profecia de Isaías (primeira leitura), em que as várias nações pagãs trarão tesouros, ouro e incenso, ao Templo de Jerusalém. Mateus apresenta Jesus como a luz e a glória de Deus para o povo de Israel, sendo a ele que os povos se dirigem em adoração, numa perspectiva universalista (segunda leitura). A menção da estrela que guia os magos é uma alusão à estrela de Jacó (Nm 24,17) que, depois, se transformou na estrela de David, com seis pontas e doze lados, associando Jesus ao messianismo davídico. Assim também se dá com o nascimento em Belém, cidade tida como a terra de origem de David. Todos estes acentos messiânicos Mateus os faziam para convencer a sua comunidade de cristãos originários do judaísmo que em Jesus se realizavam as expectativas messiânicas. Além do mais, a narrativa abre espaço para acentuar a crueldade do rei Herodes, com o episódio da matança das crianças de Belém. Do ponto de vista histórico, Jesus manifesta-se ao mundo a partir do início de seu ministério, o que se dá com o seu baptismo por João Baptista. Com o anúncio da chegada do Reino dos Céus, Jesus revela Deus como Deus do amor para todos os povos, sem exclusões. O encontro com Deus dá-se no desapego da riqueza e do poder, e em toda acção a favor da vida e da paz.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Mt 2, 2

 

Vimos a sua estrela no Oriente

e viemos com presentes adorar o Senhor.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Iluminai-nos, Senhor, sempre e em toda a parte com a vossa luz celeste, para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participámos.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

Sagrada Família: Jesus, Maria e José

 

DOMINGO dentro da Oitava do Natal – ano B – 27DEZ2020

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Lc 2, 16

Os pastores vieram a toda a pressa

e encontraram Maria, José e o Menino deitado no presépio.

 

ORAÇÃO COLECTA

Senhor, Pai santo, que na Sagrada Família nos destes um modelo de vida, concedei que, imitando as suas virtudes familiares e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Sir 3, 3-7.14-17a (gr. 2-6.12-14)

 

«Aquele que teme a Deus honra os seus pais»

 

A palavra de Deus faz o elogio da vida familiar. O Filho de Deus, ao fazer-Se homem, quis nascer e viver numa família humana. Foi ela a primeira família cristã, modelo, a seu modo, de todas as demais. O amor de Deus em todos os membros de uma família é condição fundamental para o crescimento, em paz, de todos os que nela nascem e vivem, como no quadro que o sábio nos apresenta nesta leitura.

 

Leitura do Livro de Ben-Sirá

Deus quis honrar os pais nos filhos e firmou sobre eles a autoridade da mãe. Quem honra seu pai obtém o perdão dos pecados e acumula um tesouro quem honra sua mãe. Quem honra o pai encontrará alegria nos seus filhos e será atendido na sua oração. Quem honra seu pai terá longa vida, e quem lhe obedece será o conforto de sua mãe. Filho, ampara a velhice do teu pai e não o desgostes durante a sua vida. Se a sua mente enfraquece, sê indulgente para com ele e não o desprezes, tu que estás no vigor da vida, porque a tua caridade para com teu pai nunca será esquecida e converter-se-á em desconto dos teus pecados.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5 (R. cf. 1)

 

Refrão: Felizes os que esperam no Senhor e seguem os seus caminhos. (Repete-se)

 

Feliz de ti, que temes o Senhor

e andas nos seus caminhos.

Comerás do trabalho das tuas mãos,

serás feliz e tudo te correrá bem. (Refrão)

 

Tua esposa será como videira fecunda,

no íntimo do teu lar;

teus filhos serão como ramos de oliveira,

ao redor da tua mesa. (Refrão)

 

Assim será abençoado o homem que teme o Senhor.

De Sião te abençoe o Senhor:

vejas a prosperidade de Jerusalém,

todos os dias da tua vida. Refrão (Refrão)

 

 

LEITURA II – Col 3, 12-21

 

«A vida doméstica no Senhor.»

 

Desde o princípio que os cristãos compreenderam que a sua fé se deve manifestar em toda a sua vida e muito particularmente na vida de família; esta pode ter sempre diante dos olhos a Sagrada Família de Nazaré, que constituiu a melhor experiência do que devem ser as nossas famílias.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses

Irmãos: Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também. Acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E vivei em acção de graças. Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. E tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Esposas, sede submissas aos vossos maridos, como convém no Senhor. Maridos, amai as vossas esposas e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, não exaspereis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Col 3, 15a.16a

 

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

 

Reine em vossos corações a paz de Cristo,

habite em vós a sua palavra (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Lc 2, 22-40

 

«O Menino crescia, e enchia-Se de sabedoria»

 

O quadro da vida evangélica, que hoje nos é proclamado, é cheio de mistério: a Sagrada Família cumpre a Lei de Moisés, revelando assim como Deus realmente entrou no caminho dos homens; Maria escuta a profecia de Simeão, que anuncia desde já, o mistério pascal; a vida da Família de Nazaré é um mundo de sabedoria e de graça, de trabalho, de oração e de paz.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino, para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações». Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré. Entretanto, o Menino crescia, tornava-Se robusto e enchia-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

OS MEUS OLHOS VIRAM A SALVAÇÃO

 

Todo primogénito pertencia a Deus, e devia ser resgatado por meio de um sacrifício. Nessa ocasião, também se fazia a purificação da mãe, e se oferecia um cordeiro. Quem era pobre podia oferecer duas rolas ou dois pombinhos, em lugar do cordeiro (cf. Lv 5,1-8). O Messias nasce em lugar pobre, e vem pobre, para os pobres. Simeão e Ana também representam os pobres que esperam a libertação. E Deus responde à esperança deles. O cântico de Simeão relembra a vida e missão do Messias: Jesus será sinal de contradição, isto é, julgamento para os ricos e poderosos, e libertação para os pobres e oprimidos (cf. Lc 6,20-26). Fiéis às tradições religiosas do povo, Maria e José cumpriram o rito de apresentação do filho primogénito. Este gesto simples revestiu-se de simbolismo. Quem tinha sido levado ao templo, mais que filho de Maria e José, era o Filho de Deus. A liturgia de apresentação evidenciou os dois grandes eixos da existência de Jesus: a sua humanidade e a sua divindade. Fora apresentado o homem Jesus, com todas as suas características socioculturais e familiares, na sua fragilidade de recém-nascido, na pobreza dos seus pais, inferiorizado, em termos religiosos, por ser galileu. No menino Jesus, expressou-se a humanidade, de forma irrestrita. Ele não fora poupado em nada, ao aceitar encarnar-se na história humana. Entretanto, ao consagrá-lo a Deus e fazendo-o, daí em diante, pertencer-lhe totalmente, a liturgia evidenciava a divindade de Jesus. Aquele menino indefeso pertencia inteiramente a Deus, em quem a sua existência estava enraizada. Era o Filho de Deus. Por isso, no templo, estava na sua própria casa. As suas palavras e acções seriam a manifestação do amor de Deus. Por meio dele, seria possível chegar até Deus. Uma vez que podia ser contemplada na sua pessoa, a sua divindade fazia-se palpável na história humana. Assim se explica por que Simeão viu a salvação de Deus. A narrativa de Lucas é envolvida pelo tema da contradição. Por um lado, Lucas acentua o empenho dos pais de Jesus em inseri-lo nas observâncias legais. Por cinco vezes é dito que tudo era feito conforme a Lei. Porém, na profecia de Simeão, o menino será um sinal de contradição. Quem era conduzido pelos pais na observância da Lei, crescendo em sabedoria e graça, será o profeta que denuncia a opressão da Lei e a corrupção do Templo, proclamando a libertação e a bem-aventurança dos pobres. O amadurecimento no amor liberta e cria novas relações justas e fraternas entre homens e mulheres.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Nós Vos oferecemos, Senhor, este sacrifício de reconciliação e humildemente Vos suplicamos que, pela intercessão da Virgem, Mãe de Deus, e de São José, as nossas famílias se confirmem na vossa paz e na vossa graça.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Bar 3, 38

 

Deus apareceu na terra

e começou a viver no meio de nós.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Pai de misericórdia, que nos alimentais neste divino sacramento, dai-nos a graça de imitar continuamente os exemplos da Sagrada Família, para que, depois das provações desta vida, vivamos na sua companhia por toda a eternidade.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

O VERBO FEZ-SE HOMEM

  


NATAL – ano B – 25DEZ2020

 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Is 9, 6

Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado.

Tem o poder sobre os seus ombros

e será chamado Conselheiro admirável.

 

ORAÇÃO COLECTA

Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina do vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – Is 52, 7-10

 

«Todos os confins da Terra verão a Salvação do nosso Deus»

 

Esta leitura é constituída pelo belo e solene pregão que serviu outrora ao profeta para anunciar a Boa Nova ao povo de Deus em tempo de desolação e de abandono; esse mesmo pregão serve para nos anunciar agora a nós mensagem ainda mais feliz, a que nos traz o nascimento do Salvador de todo o mundo.

 

Leitura do Livro de Isaías

Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)

 

Refrão: Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus. (Repete-se)

 

Cantai ao Senhor um cântico novo

pelas maravilhas que Ele operou.

A sua mão e o seu santo braço

Lhe deram a vitória. (Refrão)

 

O Senhor deu a conhecer a salvação,

revelou aos olhos das nações a sua justiça.

Recordou-Se da sua bondade e fidelidade

em favor da casa de Israel. (Refrão)

 

Os confins da terra puderam ver

a salvação do nosso Deus.

Aclamai o Senhor, terra inteira,

exultai de alegria e cantai. (Refrão)

 

Cantai ao Senhor ao som da cítara,

ao som da cítara e da lira;

ao som da tuba e da trombeta,

aclamai o Senhor, nosso Rei. (Refrão)

 

 

LEITURA II – Hebr 1, 1-6

 

«Deus falou-nos por seu Filho»

 

Jesus é a própria palavra de Deus, encarnada, feita homem no meio dos homens, mais reveladora de Deus do que a de todos os profetas, mais qualificada do que a de todos os outros mensageiros que vieram antes d’Ele ter vindo ao mundo. Ele é a imagem do Pai por quem tudo foi feito; pela sua morte purificou a humanidade de seus pecados e recebeu em herança todos aqueles que n’Ele acreditaram e a Ele se entregaram. Esses sentam-se com Ele à direita de Deus. Ele é o nosso Salvador e o nosso Deus. Por isso, O adoramos juntamente com todos os Anjos.

 

Leitura da Epístola aos Hebreus

Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».

Palavra do Senhor

 

ALELUIA

 

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

 

Santo é o dia que nos trouxe a luz.

Vinde adorar o Senhor.

Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Jo 1, 1-18

 

«O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós»

 

O Natal não é apenas o nascimento de um menino. É um mistério, uma realidade divina que se esconde e ao mesmo tempo se revela no nascimento desse Menino. É o Nascimento no meio dos homens do próprio Filho de Deus. O evangelista chama-Lhe o Verbo, isto é, a Palavra, Aquele por quem o Pai Se dá a conhecer aos homens e deles faz seus filhos. O evangelista tenta desvendar-nos todo esse mistério neste poema admirável com que abre o seu Evangelho.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «É deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

O Messias veio para todos, principalmente para os mais pobres

 

O recenseamento ordenado pelo imperador era instrumento de dominação, já que possibilitava saber quantas pessoas deviam pagar o tributo. Dentro dessa situação de dominação nasce Jesus, o Messias, que desde o primeiro instante da sua vida se identifica com os pobres. Os primeiros a receber a Boa Notícia (Evangelho) são os pobres e marginalizados, aqui representados pelos pastores. Com efeito, na sociedade da época, os pastores eram desprezados, porque não tinham possibilidade de cumprir todas as exigências da Lei. É para eles que nasceu o Salvador, o Messias e o Senhor. E são os primeiros a anunciar a sua chegada. Jesus é o Salvador, porque traz a libertação definitiva. É o Messias, porque traz o Espírito de Deus, que convoca os homens para uma relação de justiça e amor fraterno (cf. Is 11,1-9). É o Senhor, porque vence todos os obstáculos, conduzindo os homens dentro de uma história nova. Lucas e Mateus, começando seus evangelhos com a narrativa do nascimento de Jesus na cidade de Belém, vinculada à memória de David, têm a intenção de atribuir a Jesus uma origem davídica. Nos evangelhos de Marcos e de João não há referências ao nascimento em Belém. Lucas destaca as condições de despojamento e pobreza neste nascimento. Enquanto Mateus narra a visita dos magos do oriente trazendo ricos presentes, Lucas narra a visita dos humildes pastores em vigília dos rebanhos de seus patrões. Lucas é o evangelista dos pobres amados por Deus. Num mundo marcado pelas injustiças dos poderosos, o povo oprimido vislumbra a libertação e a vida plena.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Aceitai, Senhor, a oblação que Vos apresentamos neste dia solene de Natal, em que nasceu para nós a verdadeira paz e reconciliação e se instituiu entre os homens a plenitude do culto divino.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Salmo 97, 3

 

Todos os confins da terra

viram a salvação do nosso Deus.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Nós Vos pedimos, Deus misericordioso, que o Salvador do mundo hoje nascido, assim como nos comunicou a sua vida divina, nos faça também participantes da sua imortalidade.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

 


domingo, 20 de dezembro de 2020

ALEGRA-TE, CHEIA DE GRAÇA

 

DOMINGO IV do ADVENTO – ano B – 20DEZ2020 

MISSA

 

ANTÍFONA DE ENTRADA – Is 45, 8

Desça o orvalho do alto dos Céus e as nuvens chovam o Justo.

Abra-se a terra e germine o Salvador.

 

ORAÇÃO COLECTA

Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos a glória da ressurreição.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

Liturgia da Palavra

 

LEITURA I – 2 Sam 7, 1-5.8b-12.14a.16

 

«O reino de David permanecerá eternamente na presença do Senhor»

 

O rei David deseja construir um templo em honra de Deus, que abrigue a Arca da Aliança e seja o centro espiritual do seu povo. Embora o Senhor não rejeite o seu nobre projecto, faz-lhe, no entanto, compreender que não é o homem que traça planos a Deus, mas é Deus que associa o homem à realização dos Seus desígnios de salvação.

Será, portanto, Deus que construirá uma casa a David, constituído, doravante, depositário pessoal das promessas divinas. Da sua descendência nascerá o Messias, em Quem habita toda a plenitude da Divindade, verdadeiro e vivo templo de Deus no meio dos homens.

Esta Aliança e a fidelidade por ela exigida são mais importantes para o futuro do povo do que um templo material.

 

Leitura do Segundo Livro de Samuel

Quando David já morava em sua casa e o Senhor lhe deu tréguas de todos os inimigos que o rodeavam, o rei disse ao profeta Natã: «Como vês, eu moro numa casa de cedro e a arca de Deus está debaixo de uma tenda». Natã respondeu ao rei: «Faz o que te pede o teu coração, porque o Senhor está contigo». Nessa mesma noite, o Senhor falou a Natã, dizendo: «Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor: Pensas edificar um palácio para Eu habitar? Tirei-te das pastagens onde guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel. Estive contigo em toda a parte por onde andaste e exterminei diante de ti todos os teus inimigos. Dar-te-ei um nome tão ilustre como o nome dos grandes da terra. Prepararei um lugar para o meu povo de Israel; e nele o instalarei para que habite nesse lugar, sem que jamais tenha receio e sem que os perversos tornem a oprimi-lo como outrora, quando Eu constituía juízes no meu povo de Israel. Farei que vivas seguro de todos os teus inimigos. O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa. Quando chegares ao termo dos teus dias e fores repousar com teus pais estabelecerei em teu lugar um descendente que há-de nascer de ti e consolidarei a tua realeza. Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho. A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu trono será firme para sempre».

Palavra do Senhor

 

SALMO RESPONSORIAL Salmo 88 (89), 2-3.4-5.27 e 29 (R. cf. 2a)

 

Refrão: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor. (Repete-se)

 

Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor

e para sempre proclamarei a sua fidelidade.

Vós dissestes:

«A bondade está estabelecida para sempre»,

no céu permanece firme a vossa fidelidade. (Refrão)

 

«Concluí uma aliança com o meu eleito,

fiz um juramento a David meu servo:

‘Conservarei a tua descendência para sempre,

estabelecerei o teu trono por todas as gerações’». (Refrão)

 

«Ele Me invocará: ‘Vós sois meu Pai,

meu Deus, meu Salvador’.

Assegurar-lhe-ei para sempre o meu favor,

a minha aliança com ele será irrevogável». (Refrão)

 

 

LEITURA II – Rom 16, 25-27

 

«O mistério encoberto desde os tempos eternos foi agora manifestado»

 

Neste hino de louvor e gratidão, com que encerra a Carta aos Romanos, S. Paulo dá glória a Deus, por haver, finalmente, revelado o mistério por excelência – o do acesso à salvação dos pagãos e dos judeus, incapazes, uns e outros, de a alcançar, pelos seus esforços.

Oculto no tempo, esse mistério revela-se no Natal, em que Deus nos deu a conhecer a sabedoria do Seu plano divino: salvar todos os homens e o homem todo por Jesus Cristo. Realiza-se na Cruz e é manifestado pelo anúncio do Evangelho feito pelos Apóstolos, testemunhas e realizadores deste mistério inefável.

 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Seja dada glória a Deus, que tem o poder de vos confirmar, segundo o Evangelho que eu proclamo, anunciando Jesus Cristo. Esta é a revelação do mistério que estava encoberto desde os tempos eternos mas agora foi manifestado e dado a conhecer a todos os povos pelas escrituras dos Profetas segundo a ordem do Deus eterno, para que eles sejam conduzidos à obediência da fé. A Deus, o único sábio, por Jesus Cristo, seja dada glória pelos séculos dos séculos. Ámen.

Palavra do Senhor

 

ALELUIA – Lc 1, 38

 

Refrão: Aleluia. (Repete-se)

 

Eis a escrava do Senhor:

faça-se em mim segundo a vossa palavra. (Refrão)

 

 

EVANGELHO – Lc 1, 26-38

 

«Conceberás e darás à luz um Filho»

 

Maria aceitando ser a Mãe do Salvador, prometido a David, encerra o longo período de expectativa da humanidade. Pela sua fé, pelo seu «sim» generoso, Deus começa a habitar no Seu Povo.

Israel, apesar das advertências dos profetas (Deut. 12, 2-12), sonhava multiplicar os santuários, onde habitasse o Seu Deus. Mas só Deus pode escolher e construir uma morada digna d’Ele. E, na verdade, Ele mesmo a escolhe, pobre e humilde, de maneira desconcertante para o orgulho humano. O humilde acolhimento de Maria dá-Lhe a morada, que Ele desejava. O Espírito Santo realiza essa maravilha: Ele faz habitar o Verbo de Deus entre os homens.

Em Maria, a primeira entre os cristãos a comprometer-se na grande aventura da fé, nasce a Igreja, morada de Deus no meio dos homens (Apoc. 21, 3).

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Palavra da salvação.

 

MEDITAÇÃO

 

EIS A SERVA DO SENHOR

 

Maria é outra representante da comunidade dos pobres que esperam pela libertação. Dela nasce Jesus Messias, o Filho de Deus. O facto de Maria conceber sem ainda estar morando com José indica que o nascimento do Messias é obra da intervenção de Deus. Aquele que vai iniciar nova história surge dentro da história de maneira totalmente nova. A saudação do anjo Gabriel surpreendeu Maria. Quem era ela senão uma humilde habitante de Nazaré, cidade sem importância das montanhas da Galileia? Mulher sem maiores pretensões do que a de ser fiel a Deus; uma virgem já prometida em casamento a José, mas sem viver conjugalmente com ele, conforme as tradições de seu povo? Afinal, que méritos tinha para ser uma “agraciada”, “plena da graça” divina? Maria estava longe de compreender o projecto de Deus a seu respeito. Sua humildade de mulher simples do interior não lhe permitia pensar grandes coisas a respeito de si mesma. Quiçá tenha sido este o motivo por que fora escolhida por Deus para ser mãe do Messias. Livre de toda a forma de orgulho e auto-suficiência, Maria podia abrir o seu coração para receber a graça de Deus que haveria de torná-la templo do Espírito Santo. Ela tornou-se objecto da atenção divina, no seu anseio de salvar a humanidade. Deus queria contar com uma pessoa disposta a tornar-se “escrava do Senhor”, e permitir que a vontade divina acontecesse em sua vida, sem objecções. Foi para Maria que se voltaram os olhares de Deus! Tudo quanto o anjo comunicasse a Maria seria grande demais para o seu entendimento, e superava a sua capacidade de o pôr em prática. Abriu-se para ela uma perspectiva nova, ao ser-lhe prometida a assistência do Espírito Santo. Este seria a força que lhe permitiria levar a bom termo a missão divina que lhe fora comunicada pelo anjo. O evangelista Lucas elabora esta narrativa da Anunciação com alusões a temas básicos do Primeiro Testamento. Na criação o Espírito de Deus pairava sobre as águas; agora, na segunda criação, este Espírito descerá sobre Maria. Em contraposição ao antigo pecado de Eva, agora Maria é cheia de graça. E o anúncio do anjo é feito em paralelo com as palavras do profeta Isaías, que anunciava um futuro brilhante para o filho da jovem esposa do rei Acaz (Is 7,14). Unindo-nos à saudação do anjo, hoje, também saudamos Maria. E agradecemos a Deus pela concepção de Jesus no seio de Maria, concedendo-nos participar na nova criação revestida de divindade e eternidade. A escolha de Maria, uma jovem da periferia da Galileia, para ser a mãe de Jesus, Filho de Deus, revela-nos que o projecto de Deus difere dos projectos dos homens neste mundo. O poder e o prestígio tão ansiosamente buscados, nada significam para Deus. Maria viveu a humildade e o serviço; nisto identifica-se com o seu filho Jesus. O título de “rainha” aplicado a Maria não indica poder e superioridade, mas sim amor que se doa, cativa, e que se comunica. Maria está presente nos nossos lares, nas alegrias e nos sofrimentos, confortando-nos, como mãe e companheira de caminhada no seguimento de Jesus. “Alegra-te ('Ave, Maria'), cheia de graça! O Senhor está contigo...”, “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” – Jesus. Unimo-nos à saudação do anjo e à saudação de Isabel (Lc 1,28.42), saudamos também a Maria em nossa oração. Com a oração contínua e repetitiva, tomamos consciência da presença de Maria no nosso meio e, com ela, a presença do seu filho Jesus. Com Maria, a nossa atenção volta-se para Jesus, percorrendo a trajectória da sua vida: o seu nascimento, o seu ministério, a sua paixão e a sua ressurreição.

 

 

ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS

 

Aceitai, Senhor, os dons que trazemos ao vosso altar e santificai-os com o mesmo Espírito que, pelo poder da sua graça, fecundou o seio da Virgem Santa Maria.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

 

ANTÍFONA DA COMUNHÃO – Is 7, 14

 

A Virgem conceberá e dará à luz um filho.

O seu nome será Emanuel, Deus-connosco.

 

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

 

Tendo recebido neste sacramento o penhor da redenção eterna, nós Vos pedimos, Senhor: quanto mais se aproxima a festa da nossa salvação, tanto mais cresça em nós o fervor para celebrarmos dignamente o mistério do Natal do vosso Filho.

Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.